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Khadafi perdeu o controlo do Leste do país

Obama: sangue na Líbia é "inaceitável"

23.02.2011 - 22:07 Por Dulce Furtado, Isabel Gorjão Santos

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Obama diz que os direitos humanos devem ser respeitados "em todos os países" Obama diz que os direitos humanos devem ser respeitados "em todos os países" (Kevin Lamarque/Reuters)
O Presidente norte-americano Barack Obama acusou as autoridades líbias de violarem "as normas internacionais e a decência" e defendeu que os direitos humanos não são negociáveis e devem ser respeitados "em todos os países". Khadafi perdeu o controlo no Leste e os confrontos já poderão ter causado mil mortes.

Num discurso breve, Obama sublinhou que "como qualquer Governo, o Governo líbio tem a responsabilidade de travar a violência" e disse ainda que de todas as partes do mundo, Norte e Sul, Este e Oeste, "ouviram-se vozes a apoiar o povo líbio". E ao salientar esta ideia de unidade, adiantou que a sua equipa de segurança nacional irá trabalhar no sentido de preparar opções para lidar com a crise.

"É imperativo que os países e os povos do mundo falem a uma voz", disse Obama naquelas que foram as suas primeiras declarações após o início dos confrontos na Líbia, há dez dias. Sem fazer um apelo à retirada de Khadafi, pediu o fim da repressão dos protestos. Obama estava a ser criticado pelo longo silêncio, que só terá decidido interromper depois de se certificar que tinham sido retirados da Líbia cerca de 600 cidadãos norte-americanos que esta quarta-feira se prepararavam para viajar numa embarcação com destino a Malta.

A seu lado estava a secretária de Estado Hillary Clinton que, tal como anunciou Obama, irá a Genebra na segunda-feira para participar numa reunião do Conselho dos direitos humanos da ONU dedicada à Líbia. Horas antes do discurso do Presidente norte-americano, Clinton já tinha falado aos jornalistas para dizer que "a violência é inaceitável e o Governo líbio será responsável pelos seus actos”. E adiantou: “Vamos reflectir sobre todas as hipóteses possíveis para tentar pôr fim à violência, para tentar fazer pressão sobre o Governo”.
Esta quarta-feira a pressão chegou também da ONU, com o secretário-geral da organização, Ban Ki-moon, a apelar a uma acção internacional e a deixar um aviso às autoridades líbias: “Aqueles que são responsáveis pelo brutal derramamento de sangue de inocentes devem ser punidos”. Em conferência de imprensa, admitiu que a situação na Líbia “é imprevisível e poderá caminhar em várias direcções, muitas delas perigosas”.

Revolta controla o Leste

O líder líbio Muammar Khadafi perdeu já o Leste do país, que se encontra nas mãos do movimento de revolta ao seu regime autoritário de mais de quatro décadas. As forças que permanecem leais ao regime de Trípoli concentram agora os combates no lado ocidental e todo o país parece mergulhado num caos sem lei nem ordem, a desmando de multidões armadas.

Com Bengasi – a cidade embrião dos protestos – e toda a província de Cyrenaica, na costa leste da Líbia, sob o controlo dos revoltosos, Khadafi tenta agora recuperar terreno na capital e asfixiar os sinais de contestação em Misurata, Sabratha e Zawiya, do lado ocidental.
As estradas entre Trípoli e as fronteiras tunisina e argelina permanecem nas mãos de grupos leais a Khadafi ou entregues ao banditismo. A capital líbia foi esta quarta-feira uma cidade cercada por postos de controlo militares, com as ruas desertas à excepção de grupos armados pró-regime em patrulhas contínuas a intimidar os residentes aterrorizados em suas casas. “Muitas pessoas estão a desejar que chegue gente do Leste ou que os soldados desertem, para os ajudarem”, relatava o correspondente da BBC em Trípoli.

Ao fim de dez dias de convulsão no país, a Federação internacional das ligas de defesa dos Direitos Humanos actualizou em alta o balanço de mortos para 640 pessoas (275 na capital, 230 em Bengasi) – quando as autoridades líbias não reconhecem ainda mais do que uma contagem oficial de 300 mortos. Mas o ministro italiano dos Negócios Estrangeiros, Franco Frattini, cujo país é o principal parceiro económico da Líbia, avaliava que uma outra estimativa não oficial, a ascender dos mil mortos era “bastante credível”.

Êxodo em massa

O Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) teme pela segurança dos que fogem da violência. O Crescente Vermelho fala de um “êxodo em massa”, mais de 5700 pessoas já atravessaram a fronteira para a Tunísia nos últimos dois dias.

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O mundo move-se

O mundo move-se. E move-se sempre,pese tal facto a quem pensa que o consegue manter nos moldes ...

poislocal

23.02.2011 23:14

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