O Presidente eleito dos EUA, Barack Obama, disse hoje que vai adoptar uma nova abordagem face ao Irão, que irá enfatizar o respeito pelo povo iraniano e explicitar o que os EUA querem dos líderes deste país.
“O Irão vai ser um dos nossos maiores desafios”, disse Obama numa entrevista ao programa "This Week" com George Stephanopoulos, da cadeia nacional de TV ABC.
Obama disse que estava preocupado com o apoio da República Islâmica ao movimento xiita libanês Hezbollah e sobre o enriquecimento de urânio no Irão, que diz poder desencadear uma corrida ao armamento no Médio Oriente.
No que será uma mudança significativa face à política do ainda Presidente Bush, Obama revelou que vai procurar um envolvimento muito mais vasto com o Irão. “Vamos ter de adoptar uma nova abordagem. E formei a convicção de que o envolvimento é o ponto de partida certo”, anunciou o presidente eleito.
E acrescentou que essa abordagem incluirá “enviar um sinal de que respeitamos [os EUA] as aspirações do povo iraniano, mas que também temos algumas expactativas em termos de como um actor internacional deve agir.
Obama já tinha dito que estava preparado para oferecer incentivos económicos ao Irão, para que o país pare com o seu programa nuclear, mas também disse que podem ser impostas sanções mais duras se a oferta for recusada.
Bush terá recusado ajudar Israel a atacar programa nuclear
Ontem o diário norte-americano “The New York Times” divulgou uma investigação segundo a qual no ano passado a Casa Branca rejeitou um pedido de ajuda de Israel para que os EUA lhe fornecessem bombas de penetração em profundidade (capazes de destruir “bunkers”) para um ataque às instalações iranianas de enriquecimento de urânio.
O jornal diz também que a administração Bush ficou particularmente alarmada com o pedido de autorização que lhe foi dirigido para sobrevoar o Iraque, com vista a atingir o principal complexo nuclear do Irão, em Natanz (onde está a única instalação conhecida de enriquecimento de urânio no país). O pedido foi recusado, aparentemente por Bush recear as consequências para as tropias americanas no Iraque.
Por outro lado, o jornal também revela que os EUA têm em curso uma operação clandestina para sabotagem indirecta do programa nuclear iraniano, cuja eventual continuação fica nas mãos de Obama a partir de dia 20, quando toma posse como Presidente.
O jornal diz que estas revelações resultaram de uma investigação de 15 meses junto de diplomatas americanos, europeus e israelitas, bem como de peritos e inspectores nucleares.


