O Presidente norte-americano quer que as negociações israelo-palestinianas comecem “imediatamente”, afirmou o enviado de Barack Obama ao Médio Oriente, George Mitchell. Para que isso aconteça, Israel terá de aceitar primeiro a criação de um estado palestiniano, mantém o presidente Mahmoud Abbas.
Mitchell irá esta semana à região com a missão de relançar o processo de conversações, para “a paz e normalização das relações” entre Israel e os seus vizinhos, o que também beneficiará “os interesses de segurança dos Estados Unidos”, cita a Reuters. “O Presidente disse-me para fazer todos os esforços de forma a criar as circunstâncias para que as partes comecem discussões imediatas”, adiantou Mitchell no início da conferência de doadores para a Palestina, em Oslo.
O mesmo responsável afirmou que o objectivo deste encontro é “dar apoio à Autoridade Palestiniana” e abrir caminho para uma solução de dois estados. “É importante que haja a construção de instituições e capacidade governamental para que a curto prazo possa haver um estado palestiniano independente e viável”.
Que Israel o aceite, é a condição imposta por Abbas para iniciar qualquer diálogo. “Negociar o quê se [Israel] se recusa a aceitar um projecto baseado em dois estados?”, lançou o presidente aos jornalistas, em Ramallah. Segundo a AFP, Abbas desafiou Telavive a “respeitar os seus compromissos previstos pela primeira fase do Roteiro para a Paz, que estipula o fim dos colonatos, incluindo o seu crescimento natural, o desmantelamento dos colonatos ilegais e a reabertura de instituições palestinianas em Jerusalém”.
Actualmente congelado, o Roteiro foi lançado em 2003 pelo Quarteto Internacional para o Médio Oriente (EUA, UE, ONU e Rússia), prevendo a criação de um estado palestiniano ao lado de Israel.
De acordo com o jornal “al-Hayat”, o rei Abudllah da Arábia Saudita pediu a Obama que impusesse a solução de dois estados, se necessário, quando o Presidente o visitou, na semana passada. Abdullah terá dito que a paciência árabe está a esgotar-se e que Obama deve ser duro com o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahuu, sobre a sua recusa em apoiar o estado palestiniano, e impedir a expansão dos colonatos.
Para o monarca, a solução do conflito israelo-árabe será a “chave mágica” para todas as questões regionais, avançou o diário, citando fontes bem informadas. “Queremos de si uma participação séria que resolva a questão palestiniana e que imponha a solução, se necessário”, afirmou.


