Obama quebra silêncio sobre guerra em Gaza para dizer que não irá interferir nas negociações de Bush

06.01.2009 - 10:31 Por AFP, PÚBLICO
O Presidente eleito dos EUA, Barack Obama, indicou ontem à noite (hora portuguesa) estar profundamente preocupado com a situação na Faixa de Gaza, sublinhando, porém, que não irá intervir nas “negociações delicadas” que estão a ser conduzidas pela Administração de Bush, porque os EUA não devem ter “duas vozes” em assuntos internacionais tão delicados como este.
Questionado sobre se a ofensiva israelita contra o Hamas irá perturbar as prioridades do seu calendário económico, Obama – que toma posse a 20 de Janeiro – respondeu: “de facto, os assuntos internacionais são profundamente preocupantes”. “Penso que um Presidente, ou um Presidente eleito e a sua equipa, deverão saber fazer várias coisas ao mesmo tempo. A propósito da situação em Gaza, estou ao corrente do que se passa”, indicou aos jornalistas.
Até agora, Obama tinha guardado um silêncio prudente acerca da ofensiva terrestre desencadeada por Israel na Faixa de Gaza, uma atitude que lhe tem valido a crítica do mundo árabe e da Europa.
O Presidente eleito acrescentou ainda: “continuo a insistir no facto de que, em matéria de negócios estrangeiros, é muito importante aderir ao princípio de uma única presidência. Em particular porque decorrem delicadas negociações neste momento e não nos podemos permitir ter duas vozes em nome dos Estados Unidos, quando tanta coisa está em jogo”.
Obama sublinhou ainda que mantém conversações com membros da actual Administração de Bush e que isso irá continuar.
Obama, que comentou os atentados terroristas da cidade de Bombaim, na Índia, imediatamente após o acontecimento, tinha mantido um rigoroso silêncio sobre as operações militares israelitas em Gaza, que duram há dez dias.
Apesar de ter quebrado o silêncio, a posição de Obama é, bem vistas as coisas, aquela que tem vindo a ser explicada pelos seus colaboradores. "O Presidente eleito está a monitorizar de perto os acontecimentos globais, incluindo a situação em Gaza. Mas só há um Presidente em funções", tinha já lembrado há poucos dias a porta-voz de Obama para as questões de segurança, Brooke Anderson.
Um outro membro da sua equipa tinha igualmente explicado à Reuters que "durante o período de transição [de poder], o melhor é não tomar nenhuma posição que possa confundir ou enviar sinais contraditórios sobre quem fala em nome dos Estados Unidos".
Bush apoia aliado israelita
Em Washington, o Presidente George W. Bush mantém o seu apoio ao grande aliado israelita, rejeitando qualquer cessar-fogo que não dê garantias de segurança a Israel.
“Eu sei que as pessoas dizem: é preciso um cessar-fogo. É uma nobre ambição. Mas qualquer cessar-fogo deve comportar condições que não permitam ao Hamas continuar a disparar ‘rockets’ a partir de Gaza”, disse Bush nas suas declarações públicas depois do início da ofensiva militar terrestre, no sábado.


