Com Barack Obama a Internet ganhou uma nova dimensão: de mobilização política. O primeiro candidato 2.0 tornou-se Presidente dos EUA. E a partir de amanhã será o primeiro presidente 2.0. Aquele que percebeu a capacidade da Internet em gerar um movimento social. E este movimento é essencial nesta altura. Os desafios que se colocam hoje na América não podem ser enfrentados por uma só pessoa. Obama precisa dos americanos. Por isso fala no plural: nós. “Sim, nós podemos”.
Mas depois da vitória nas eleições a questão que se coloca agora é: o que fará Obama com este movimento de milhões de voluntários que o apoiaram? Ainda não se sabe ao certo, mas Obama parece decidido em não o deixar cair. Hoje, no dia em que se comemora nos EUA o feriado nacional dedicado a Martin Luther King, Obama criou a primeira missão desse movimento: a iniciativa USA Service, lançada através da Internet.
O que o próximo Presidente dos EUA pede em www.usaservice.org é simples: que os americanos dediquem o feriado a fazer trabalho voluntário nos seus bairros. Desde a limpeza do campo atrás da escola da cidade até à recolha de alimentos para quem mais precisa. E os americanos corresponderam. Já 27 mil pessoas viram o filme de promoção da iniciativa deixado por Obama no You Tube. E neste momento existem 12 mil grupos comunitários em todos os Estados americanos.
A iniciativa, em si, não é nova. Desde 1994 que a terceira segunda-feira de Janeiro é dedicada ao trabalho comunitário. A novidade é que este ano a adesão duplicou e, sobretudo, representa a continuação da forma de fazer política que Obama inaugurou durante a campanha: a que incita à participação dos cidadãos na mudança dos EUA. E, nesse sentido, esta iniciativa pode ser a primeira de uma mudança que consegue trazer a política de novo para a vida dos cidadãos. Mas, o usaservice.org é apenas um dos muitos sites criados pelo presidente eleito. E este caminho deixa antever que a Internet será chamada a cumprir um papel importante no seu mandato.
“A politica está aqui”
Num artigo de opinião do jornal “Washington Post”, José António Vargas analisa como a Internet pode alterar a mensagem política. Para o especialista de política deste jornal, com a Internet a política torna-se "tangível": “[Na Web a política] está aqui. Podemos tocá-la. Está no nosso computador, no nosso telemóvel. Podemos controlá-la ao reenviá-la através de email ou ao depositar dinheiro numa campanha”, exemplifica. Graças à Internet, a política tornou-se pessoal e individual, afirma.
Obama não só percebeu que a Internet aproxima os cidadãos da política como também a reforçou ao personalizar a mensagem em função do destinatário. Para cada grupo social Obama encontrou um meio de comunicação e soube adaptá-lo à sua mensagem de mudança: interpela um grupo e fala a sua língua.
Foi por isso que durante a campanha eleitoral se dirigiu ao eleitorado mais novo através de redes sociais como o Facebook ou o You Tube. A estratégia é fazer com que a mensagem tenha um efeito mobilizador. E foram estas pessoas - altamente mobilizadas - que criaram comunidades que partilhavam um elemento: acreditavam na mensagem de Obama e estavam decididas a persuadir os outros disso. Através destes elementos-chave que se mobilizaram na transmissão da mensagem, foi possível angariar novos apoiantes e transformar esta eleição num movimento, numa missão.
Com a campanha de Obama, a Internet tornou-se um palco onde, ao contrário dos media tradicionais, os cidadãos comunicam entre si e com o Presidente. Só resta saber se, ao longo destes quatro anos, Obama vai conseguir manter esta plataforma de diálogo viva.


