Barack Obama está preocupado com a possibilidade de os detidos libertados da base naval de Guantánamo, em Cuba, atacarem no futuro os Estados Unidos. Mas encerrar a prisão norte-americana é uma questão de respeitar os valores e as leis norte-americanas e não o fazer acabaria por deixar a América menos segura, defendeu.
“Podemos garantir que eles não vão tentar participar noutro ataque? Não”, afirmou numa entrevista à televisão NBC, transmitida ontem. “Mas o que eu posso garantir é que se não respeitamos a nossa Constituição e os nossos valores, com o tempo ficaremos menos seguros. E isso será uma ferramenta de recruta para organizações como a Al-Qaeda.”
Suspender os julgamentos nas comissões militares a funcionar em Guantánamo foi a primeira decisão da presidência Obama. Ordenar o encerramento de Guantánamo no prazo de um ano foi a segunda. Por lá já passaram pelo menos 779 homens (incluindo mais de 20 menores) e permanecem 240. A esmagadora maioria são homens presos há mais de sete anos e nunca acusados.
Entre os libertados, na sua maioria sauditas, afegãos e paquistaneses, muitos ilibados de qualquer suspeita, outros por falta de provas para sustentar uma acusação, o Pentágono diz saber que 18 tiveram "actividades terroristas" comprovadas por "impressões digitais, fotografias ou informações secretas fiáveis". Sobre outros 43 o Pentágono diz que há "informações plausíveis" de que se envolveram em "actividades terroristas".


