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Obama manda mais 30 mil soldados para guerra do Afeganistão e marca prazo para o início da retirada

02.12.2009 - 08:24 Por Rita Siza, Washington

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O Presidente apresentou o seu caso de como a escalada da guerra é "vital para a segurança nacional" dos Estados Unidos O Presidente apresentou o seu caso de como a escalada da guerra é "vital para a segurança nacional" dos Estados Unidos (Jim Young/Reuters)
Os Estados Unidos da América vão enviar mais trinta mil soldados para o Afeganistão durante os próximos seis meses, para apoiar o actual contingente militar naquele país a combater a violenta insurreição taliban, que tem crescido exponencialmente.

Mas a partir de Julho de 2011, as tropas norte-americanas começarão a voltar a casa — embora uma retirada definitiva esteja condicionada às “condições no terreno”.

Numa declaração solene ao país, a partir da Academia Militar de West Point, no estado de Nova Iorque, o Presidente Barack Obama explicou que a sua Administração não está disponível para prolongar indefinidamente uma guerra que “não escolheu” e se arrasta há mais de oito anos, tendo já custado a vida a 929 soldados.

Ao mesmo tempo, argumentou que o reforço das tropas é a única fórmula para conter a expansão dos taliban e aniquilar a sua influência, criando condições de segurança e estabilidade para a população e para o governo do Afeganistão. “O desafio é imenso”, disse, “mas o status quo é insustentável”.

O Presidente apresentou o seu caso de como a escalada da guerra é “vital para a segurança nacional” dos Estados Unidos. “Estou convencido que a nossa segurança está em risco no Afeganistão e Paquistão. Esse é o epicentro do violento extremismo praticado pela Al-Qaeda. Foi a partir daí que fomos atacados a 11 de Setembro e é daí que novos ataques estão a ser preparados ainda hoje. Esta não é uma ameaça hipotética”, sublinhou.

Propositadamente, Obama nunca referiu a palavra vitória, como o seu antecessor George W. Bush. O Presidente falou em sucesso, e insistiu que esse será alcançado quando os Estados Unidos tiverem conseguido “romper, desmantelar e derrotar a Al-Qaeda”, de tal forma que aquela rede terrorista não seja capaz de se reorganizar nem voltar a operar no Afeganistão e no Paquistão.

“Para cumprir esse objectivo, temos de nos certificar que a Al-Qaeda não tem onde se refugiar. Temos de reverter o momentum dos taliban e garantir que eles não ganham capacidade de derrubar o governo. E temos de fortalecer a capacidade das forças de segurança e do governo do Afeganistão, para que eles assumam a responsabilidade pelo seu futuro”, enunciou.

Esta é a segunda vez que Obama decide engrossar o contingente militar que combate no Afeganistão – em Fevereiro, um mês depois de tomar posse, o Presidente já ordenara um acréscimo de 21 mil tropas, elevando o número total de soldados americanos destacados naquele país para cerca de 68 mil. Agora chegarão quase aos cem mil.

Durante a campanha eleitoral, o então candidato argumentara que uma das razões porque defendia a imediata retirada das tropas do Iraque era para que a máquina militar americana se pudesse concentrar no Afeganistão. As forças de combate dos Estados Unidos sairão do Iraque no final de Julho de 2010, e as restantes unidades de apoio partirão no final de 2011.

Situação é “mais séria” do que se esperava

“Durante seis anos, a guerra do Iraque dominou as nossas tropas, os nossos recursos, a nossa diplomacia e a nossa atenção nacional”, lembrou Obama. “E enquanto isso, o Afeganistão deteriorava-se”, observou. “A situação não está perdida”, considerou, “mas muitos ganhos do passado foram entretanto revertidos”. “O nosso comandante no Afeganistão [general Stanley McChrystal] informou-nos que a situação de segurança é muito mais séria do que estimávamos”, notou.

A decisão de Obama acontece depois de um exaustivo processo de revisão da estratégia que durou mais de três meses, durante os quais o Presidente reuniu por dez vezes com o seu “conselho de guerra” e consultou dezenas de especialistas militares e civis. As discussões abordaram os diferentes cenários desenhados pelo general McChrystal, comandante das tropas americanas e responsável pela operação da NATO, mas também as recomendações do embaixador em Cabul, Karl Eikenberry.

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