Obama lança ofensiva mediática para defender plano económico

09.02.2009 - 20:25 Por Rita Siza, Washington
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, iniciou hoje uma verdadeira ofensiva mediática em defesa do Plano de Recuperação e Reinvestimento, que prevê a injecção de 800 mil milhões de dólares na economia norte-americana, que mas que tem estado emperrado no Congresso, num debate envolvido em polémicas partidárias.
Esta noite Obama fará a sua primeira conferência de imprensa em horário nobre, como Presidente. A sessão com os jornalistas deveria ser quase exclusivamente ocupada com perguntas sobre o plano de estímulo económico — esperava-se para a mesma hora um voto no Senado para pôr fim ao debate e avançar com a aprovação do plano.
Entretanto, a cidade de Elkhart foi a primeira escalade Obama numa série de visitas a locais especialmente atingidos pela recessão para apresentar o seu plano directamente ao público e pressionar os legisladores a trabalhar em conjunto e a chegar a acordo para a sua aprovação.
“Não vos posso garantir a 100 por cento que todos os aspectos que incluímos no plano de estímulo económico vão funcionar exactamente como nós esperamos. O que vos posso dizer com toda a confiança é que continuar com demoras só vai aprofundar o desastre”, sublinhou o Presidente, numa assembleia popular no Indiana.
“O nosso plano não é perfeito”, admitiu. “Mas é o mais correcto em termos de valor e de prioridades para criar os postos de trabalho que vão inverter a crise e adaptar a nossa economia ao século XXI”, acrescentou.
O Indiana foi um dos estados tradicionalmente “vermelhos” (republicanos) que Obama conquistou nas presidenciais. Em Elkhart, contudo, o actual Presidente ficou, contudo, atrás do seu adversário, John McCain. Nesta cidade a taxa de desemprego cresceu de pouco menos de 5 por cento para mais de 15 por cento em apenas um ano.
À chegada, Obama lembrou que os últimos dados da economia demonstram como “a situação não podia ser mais séria”. Mas em vez de debitar números, o Presidente falou nas “pessoas que ficaram sem fonte de rendimento, que perderam o seu seguro de saúde, que correm o risco de não pagar a casa ou mandar os filhos para a universidade” .
“É assim que temos de medir a nossa crise económica”, frisou.
O debate juntou cerca de 1700 pessoas, livres de perguntar o que quisessem: ao contrário do que muitas vezes acontece neste tipo de eventos, não houve uma selecção dos temas ou das pessoas que teriam direito a interpelar o Presidente, e por isso Obama teve de responder pelos “enganos” de algumas das pessoas que tinha nomeado para a sua equipa e que falharam o pagamento de impostos - como Tom Daschle, que tinha escolhido para a Saúde .
“É uma pergunta legítima”, declarou o Presidente, quando a audiência assobiava. “Como disse em todos os canais de televisão do país, cometi um erro. Estas são pessoas que eu conheço e estimo e considero serem qualificadas. Mas não podemos admitir dois critérios diferentes e não podemos ter pessoas que não pagaram os impostos”, respondeu.
A Casa Branca prometeu envolver-se no próximo passo do processo legislativo, fazendo saber das suas prioridades na conferência de “reconciliação” das diferentes versões de proposta de lei da Câmara de Representantes e do Senado. A primeira, no valor de 819 mil milhões de dólares, tem uma forte vertente de investimento público. A segunda, que ascende aos 827 mil milhões de dólares, privilegia cortes fiscais.

