Obama exige acção imediata para evitar catástrofe económica nos Estados Unidos

10.02.2009 - 08:24 Por Rita Siza, Washington
O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aumentou ontem a pressão sobre o Congresso, dizendo que se os legisladores não colaborarem para a rápida aprovação do seu “Plano de Recuperação e Reinvestimento” na economia norte-americana, a actual situação difícil poderá tornar-se catastrófica.
“O plano não é perfeito, como nenhum plano é”, declarou o Presidente, numa conferência de imprensa de quase uma hora que ocupou o horário nobre da programação televisiva. “Mas fazer pouco, ou não fazer nada, resultará num défice ainda maior de empregos, rendimentos e confiança. Esse é um défice que pode transformar uma crise numa catástrofe — e recuso-me a deixar isso acontecer”, sublinhou.
Foi a maneira de Obama retomar a liderança no debate da polémica legislação, que contempla a injecção de cerca de 800 mil milhões de dólares na economia através de uma mistura de cortes fiscais e investimentos públicos em infraestruturas, energia, educação e saúde.
A proposta de lei esteve sob intenso debate no Congresso: uma primeira versão com especial ênfase na despesa foi aprovada na Câmara de Representantes apenas com os votos dos congressistas democratas; hoje, o rascunho do Senado sobe a votação e espera-se que seja aprovada, com pelo menos três republicanos dispostos a votar ao lado da maioria democrata.
Recorde-se que um grupo de senadores moderados democratas e republicanos — o “gang dos 18” — redigiu um compromisso que eliminou cerca de 100 mil milhões de dólares de despesas previstas na versão aprovada pela Câmara de Representantes, e acrescentou várias provisões relativas a cortes fiscais.
A maior crise económica desde a Grande Depressão
A proposta do Senado prevê cerca de 140 mil milhões de dólares para cortes fiscais, 47 mil milhões de dólares para incentivos à compra de novos carros e casas e 43 mil milhões de dólares para expandir os benefícios aos desempregados. Os senadores mantiveram milhares de milhões de dólares para a construção ou requalificação de infraestruturas, mas cortaram 16 mil milhões de dólares ao orçamento previsto para o melhoramento do parque escolar. E reduziram para metade a parcela dos apoios aos governos estaduais, que ficaram fixados nos 40 mil milhões de dólares.
“Adiar a acção numa crise desta severidade vai criar uma espiral negativa da qual será muito mais difícil escapar”, referiu o Presidente, apresentando como exemplo a “década perdida” da economia japonesa durante os anos 90. “Esta não é apenas uma recessão: é a maior crise económica desde a Grande Depressão. E os problemas estão a acelerar”, sublinhou.
“Neste preciso momento, com o sector privado tão enfraquecido pela recessão, o governo federal é a única entidade que tem recursos para ressuscitar a economia. Só o governo tem capacidade para quebrar o ciclo vicioso em que a perda de emprego leva à redução do consumo que por sua vez leva a mais despedimentos”, declarou, voltando a garantir que a implementação do seu pacote económico permitirá o salvamento ou a criação de três a quatro milhões de postos de trabalho, 90 por cento dos quais no sector privado.
Obama viaja hoje para a Florida
Depois da votação no Senado, o processo legislativo avança para conferência, para reconciliar as duas versões. Presente na negociação estará, também, a Casa Branca, que não está disposta a abrir mão de algumas das suas ideias iniciais. Obama já disse que quer assinar a lei antes do feriado do Dia dos Presidentes, no dia 16 de Fevereiro.
“Depois de semanas de discussão, o plano que sair do Congresso terá de ter o valor e a ambição necessários para atendermos aos desafios económicos que enfrentamos”, referiu Barack Obama, lembrando que as linhas de força da legislação mereceram o acordo dos líderes de todos os sectores da economia e dos sindicatos.
“O plano contém ideias e compromissos tanto de democratas como de republicanos. Contém um nível de transparência e supervisão sem precedentes. E não contém um único projecto que qualquer uma das bancadas tenha considerado repreensível ”, reparou.

