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Crise mundial

Obama exige acção imediata para evitar catástrofe económica nos Estados Unidos

10.02.2009 - 08:24 Por Rita Siza, Washington

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O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aumentou ontem a pressão sobre o Congresso, dizendo que se os legisladores não colaborarem para a rápida aprovação do seu “Plano de Recuperação e Reinvestimento” na economia norte-americana, a actual situação difícil poderá tornar-se catastrófica.
Segundo as últimas sondagens, 76 por cento dos americanos estão satisfeitos com o desempenho de Barack Obama ao fim de três semanas na Casa Branca Segundo as últimas sondagens, 76 por cento dos americanos estão satisfeitos com o desempenho de Barack Obama ao fim de três semanas na Casa Branca (Jason Reed/Reuters)

“O plano não é perfeito, como nenhum plano é”, declarou o Presidente, numa conferência de imprensa de quase uma hora que ocupou o horário nobre da programação televisiva. “Mas fazer pouco, ou não fazer nada, resultará num défice ainda maior de empregos, rendimentos e confiança. Esse é um défice que pode transformar uma crise numa catástrofe — e recuso-me a deixar isso acontecer”, sublinhou.

Foi a maneira de Obama retomar a liderança no debate da polémica legislação, que contempla a injecção de cerca de 800 mil milhões de dólares na economia através de uma mistura de cortes fiscais e investimentos públicos em infraestruturas, energia, educação e saúde.

A proposta de lei esteve sob intenso debate no Congresso: uma primeira versão com especial ênfase na despesa foi aprovada na Câmara de Representantes apenas com os votos dos congressistas democratas; hoje, o rascunho do Senado sobe a votação e espera-se que seja aprovada, com pelo menos três republicanos dispostos a votar ao lado da maioria democrata.

Recorde-se que um grupo de senadores moderados democratas e republicanos — o “gang dos 18” — redigiu um compromisso que eliminou cerca de 100 mil milhões de dólares de despesas previstas na versão aprovada pela Câmara de Representantes, e acrescentou várias provisões relativas a cortes fiscais.

A maior crise económica desde a Grande Depressão

A proposta do Senado prevê cerca de 140 mil milhões de dólares para cortes fiscais, 47 mil milhões de dólares para incentivos à compra de novos carros e casas e 43 mil milhões de dólares para expandir os benefícios aos desempregados. Os senadores mantiveram milhares de milhões de dólares para a construção ou requalificação de infraestruturas, mas cortaram 16 mil milhões de dólares ao orçamento previsto para o melhoramento do parque escolar. E reduziram para metade a parcela dos apoios aos governos estaduais, que ficaram fixados nos 40 mil milhões de dólares.

“Adiar a acção numa crise desta severidade vai criar uma espiral negativa da qual será muito mais difícil escapar”, referiu o Presidente, apresentando como exemplo a “década perdida” da economia japonesa durante os anos 90. “Esta não é apenas uma recessão: é a maior crise económica desde a Grande Depressão. E os problemas estão a acelerar”, sublinhou.

“Neste preciso momento, com o sector privado tão enfraquecido pela recessão, o governo federal é a única entidade que tem recursos para ressuscitar a economia. Só o governo tem capacidade para quebrar o ciclo vicioso em que a perda de emprego leva à redução do consumo que por sua vez leva a mais despedimentos”, declarou, voltando a garantir que a implementação do seu pacote económico permitirá o salvamento ou a criação de três a quatro milhões de postos de trabalho, 90 por cento dos quais no sector privado.

Obama viaja hoje para a Florida

Depois da votação no Senado, o processo legislativo avança para conferência, para reconciliar as duas versões. Presente na negociação estará, também, a Casa Branca, que não está disposta a abrir mão de algumas das suas ideias iniciais. Obama já disse que quer assinar a lei antes do feriado do Dia dos Presidentes, no dia 16 de Fevereiro.

“Depois de semanas de discussão, o plano que sair do Congresso terá de ter o valor e a ambição necessários para atendermos aos desafios económicos que enfrentamos”, referiu Barack Obama, lembrando que as linhas de força da legislação mereceram o acordo dos líderes de todos os sectores da economia e dos sindicatos.

“O plano contém ideias e compromissos tanto de democratas como de republicanos. Contém um nível de transparência e supervisão sem precedentes. E não contém um único projecto que qualquer uma das bancadas tenha considerado repreensível ”, reparou.

Nos próximos dias, o Presidente pretende continuar a capitalizar a sua ainda elevada popularidade junto da opinião pública para apresentar o plano de estímulo económico pelas regiões do país onde a crise económica se sente de forma mais dramática. Obama viaja hoje para o estado da Florida, onde a crise do sector imobiliário tem tido efeitos devastadores.

Segundo as últimas sondagens, 76 por cento dos americanos estão satisfeitos com o desempenho de Barack Obama ao fim de três semanas na Casa Branca. De acordo com os números de um inquérito encomendado pela CNN, 80 por cento consideram que o Presidente se tem revelado um bom líder para o país; o seu desempenho na área económica merece a aprovação de 72 por cento e as suas tentativas de colaboração com a oposição republicana no Congresso agradam a 74 por cento dos inquiridos.

A Gallup, uma das maiores organizações de sondagens dos Estados Unidos, quantificou em 67 por cento o apoio da população à forma como o Presidente tem estado a gerir a negociação do plano de estímulo da economia.

O mesmo estudo dá conta do desconforto dos americanos com o comportamento dos seus representantes do Congresso: depois de duas semanas de duro combate político, a bancada democrata só tem a simpatia de 48 por cento dos inquiridos, com a apreciação a baixar para os 31 por cento no que diz respeito à atitude dos republicanos, que têm estado unidos numa feroz oposição ao pacote económico defendido pela Casa Branca.

A bancada conservadora vê no debate sobre as soluções para a economia uma oportunidade para restabelecer a sua credencial de “responsabilidade fiscal”, perdida durante os anos da Administração Bush.

Há enormes riscos políticos para todos os lados envolvidos no debate. O controlo do Congresso volta a jogar-se em 2010, e se nessa altura as medidas que vierem a ser aprovadas para reanimar a economia falharem em produzir resultados, é provável que os eleitores castiguem os democratas. No entanto, se a situação melhorar, a oposição republicana poderá ter dificuldades em explicar as razões porque esteve contra medidas destinadas a promover o emprego e o consumo.

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CHEQUE EM BRANCO

Onde está a condenação dos corruptos empresários, administradores, gestores, bolsistas, etc, que ...

FRANCISCO

10.02.2009 12:08

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