Barack Obama, eleito ontem Presidente dos Estados Unidos, beneficiou de uma onda eleitoral para obter uma vitória histórica, prometendo mudança como primeiro afro-americano à frente do país, mas enfrentando desafios enormes, desde a profunda crise económica a duas guerras no Médio Oriente.
Os democratas obtiveram com Obama uma vitória avassaladora, em que reforçaram as suas maiorias nas duas câmaras do Congresso (o Senado e a Câmara dos Representantes), com os eleitores a rejeitarem enfaticamente os oito anos de liderança de George W. Bush.
Por todo o país, houve celebrações nas ruas, mas Obama via ter pouco tempo para desfrutar a vitória. Espera-se que comece a trabalhar já hoje, a planear a sua tomada de posse a 20 de Janeiro e a formar a equipa que vai enfrentar a crise financeira e outros desafios.
Os democratas ganharam pelo menos cinco lugares no Senado (ainda restavam três por atribuir, de acordo com o site de “The New York Times”) e cerca de 25 na Câmara dos Representantes (faltava atribuir dez), enquanto os republicanos perdiam respectivamente cinco e 18 lugares. Este resultado dá aos democratas uma forte maioria no Congresso e fortalece o poder de Obama.
Obama tem já 349 votos eleitorais, ou seja, 64,9 por cento e mais do dobro das representações conseguidas pelo seu adversário republicano no colégio eleitoral. Em termos de voto popular, Obama estava com 52,3 por cento (62,438,115 milhões de votos) e McCain com 46,4 por cento (55,380,162 de votos), segundo o "site" da BBC, com cerca de 96 por cento dos votos apurados.
Filho de pai negro do Quénia e mãe branca do Kansas, Obama nasceu quando os negros dos Estados Unidos ainda combatiam as políticas segregacionistas no Sul do país. O seu triunfo ontem sobre o republicano John McCain é um marco que poderá ajudar os EUA a ultrapassar a usa longa e brutal história de racismo.
“Demorou muito tempo a chegar, mas esta noite, por causa do que fizemos neste dia, neste momento definidor, a mudança chegou à América”, disse Obama, 47 anos, a cerca de 240 mil apoiantes em êxtase reunidos no Grant Park, em Chicago.
Reacções de esperança por todo o mundo
A generalidade dos líderes mundiais saudaram a vitória de Obama e alguns disseram mesmo tratar-se de uma oportunidade para restaurar a degradada imagem dos EUA. A eleição de Obama “levantou enorme esperança em França, na Europa”, disse Nicolas Sarkozy, o Presidente da França, que detém a presidência rotativa da União Europeia.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, felicitou também Obama e disse esperar que sob a sua direcção os EUA se aliem à Europa para “levar o mundo para um ‘new deal’ [novo acordo]”, para “benefício das nossas sociedades e de todo o mundo”.
O primeiro-ministro português, José Sócrates, disse por seu lado que "a voz de Barack Obama é uma voz de esperança e a sua eleição representa uma oportunidade de mudança para os Estados Unidos e para o mundo".
Para Sócrates, a eleição de Barack Obama “representa também a possibilidade de um novo ciclo de relacionamento entre os Estados Unidos e a Europa ao serviço da paz, da cooperação entre os povos e de uma globalização mais justa e regulada”.



