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Estado da União

O sonho de Obama? Uma América mais justa

25.01.2012 - 06:54 Por PÚBLICO

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Obama abraça Gabrielle Giffords, a democrata do Arizona que foi baleada há um ano na cabeça Obama abraça Gabrielle Giffords, a democrata do Arizona que foi baleada há um ano na cabeça (Foto: AFP)
Foi um discurso ao ataque, de um candidato à reeleição, e um discurso de um Presidente que continua a ter muitas ideias e projectos deste mandato por cumprir. O Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, aproveitou o discurso do Estado da União, proferido em Washington, na madrugada desta quarta-feira (noite de terça na costa Leste americana), para dizer que ele é o candidato dos 99 por cento que procuram uma economia mais justa.

A começar pela reforma fiscal, carregando nas fortunas: "A reforma deve seguir a regra Buffet: se ganhas mais de um milhão de dólares por ano, não deves pagar menos de 30 por cento em impostos." A mesma frase serviria para afagar "98 por cento das famílias norte-americanas que não ganham mais de 250 mil dólares por ano" e cuja factura fiscal devia ser mais baixa, como defendeu Obama, mas também poderia servir para aquele que era, até às primárias da Carolina do Sul, o potencial adversário republicano nas presidenciais de Novembro, Mitt Romney, que divulgou a sua declaração fiscal de 2010. Romney, um multimilionário que já foi governador do Massachussets, declarou ganhos superiores a 20 milhões de dólares em 2010 e, porém, pagou menos de 15 por cento de IRS.

Com as sondagens a demonstrar que a maioria dos eleitores norte-americanos não aprovam a sua condição política da economia, Obama também prometeu apertar na fiscalização, com a criação de uma unidade especial para travar a fraude fiscal em grande escala.

Destacando que, pela primeira vez em nove anos, não havia americanos a combater no Iraque – de onde os Estados Unidos retiraram no fim de 2011 – o líder norte-americano ganhou tempo e fôlego para insistir nas questões económicas. E defendeu que o país deve aproveitar as poupanças proporcionadas por essa retirada militar e redireccionar esse dinheiro para investimentos nas infra-estruturas como ferrovia mais rápida e recuperação das estradas do país. "Tanto da América precisa de reconstrução", apontou Obama, que terá de negociar com o Congresso a ideia de investir em ligações rápidas de comboio.

Obama não quantificou quanto será a poupança decorrente de não haver um esforço militar tão grande, mas o Gabinete do Orçamento no Congresso estima, segundo números citados pela Reuters, que os EUA não gastarão 440 mil milhões de dólares nos próximos nove anos.

Uma das palavras mais usadas pelo Presidente norte-americano foi emprego. Uma das preocupações será a de penalizar as empresas que deslocalizarem os lucros ou os postos de trabalho para o estrangeiro. "Empresas que escolhem ficar pagam dos impostos mais altos do mundo. Portanto, vamos mudar isso", vincou Obama.

"Nós apostamos nos trabalhadores americanos. Temos a grande oportunidade de trazer de volta a indústria produtiva. E esta noite a minha mensagem para os empresários é: perguntem a vocês mesmos o que podem fazer para trazer emprego de volta ao vosso país e o vosso país fará tudo o que nós pudermos fazer para que ajudar ao vosso sucesso".

Olhando ainda para o problema da bolha imobiliária, e a crise do crédito que atirou muitos americanos para dificuldades em pagarem a sua casa, Obama reconheceu que o Governo não pode resolver o problema, mas propôs um plano para aliviar em cerca de 3000 dólares por ano os proprietários que pretendam refinanciar a sua dívida a taxas de juro mais baixas. Um contributo que seria financiado através de uma pequena taxa a aplicar "às maiores instituições financeiras, para que não onere o défice dos Estados Unidos e para que os banmcos que tenham sido salvos com o diheiro dos contribuintes tenham a oportunidade de saldar a quebra na confiança" que sofreram quando tiveram de ser salvos com intervenção estatal.

Um dos momentos da noite foi a saudação à democrata Gabrielle Giffords, membro da Câmara dos Representantes pelo Arizona, e que foi baleada na cabeça, há um ano. Giffords, 41 anos, vai deixar o seu cargo para se focar na sua própria recuperação, mas antes disso compareceu na primeira fila dos Representantes. Mereceu um abraço de Obama e aplausos de pé do Congresso.

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