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Texto publicado no PÚBLICO a 16 de Janeiro de 2009

O sonho americano dos Bin Laden

02.05.2011 - 11:12 Por Sofia Lorena

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Um emigrante temerário ajudou a construir um país. Deixou uma fortuna sem fim e uma descendência imensa. Uma família árabe e global, que se integrou no Ocidente, até que um dos seus membros a engoliu. Steve Coll partiu dos Bin Laden para chegar a Osama e não há outro livro assim sobre ele.

Esta é a história de um país chamado Arábia Saudita, que não seria o mesmo sem outro chamado Estados Unidos da América. O título é "Os Bin Ladens", mas é o subtítulo que realmente nos prepara: "Uma família árabe no século americano." Esta é a história dos Bin Laden, de todos. Dos mais conhecidos e daqueles que nunca descobriríamos sem a ler.

Passa-se em Riad e Jidá e Meca, mas também em Munique, Londres, Beirute.

Leva-nos a Peshawar e a Kandahar, mas não tanto como a Nova Iorque e Orlando. Começa no Iémen, num sítio mágico chamado Hadhramaut.

Deserto, oásis, penhascos e construções de alturas e localizações impossíveis.

Milagres. Sobre um determinado local da região que se estende para leste no Iémen até Omã, escreve o autor: "Segundo uma lenda local, uma raça de gigantes destruía as pedras do abismo até Deus se ter ofendido com a sua arrogância e a ter destruído através de uma tempestade de areia. Isto pode explicar a espantosa arquitectura: amontoados de encontro às paredes de pedra, erguem-se os gigantes arranha-céus das povoações acasteladas, cada uma um baluarte vedado e vertical contra as suas vizinhas." É num local assim que começa a saga. Como tantas, repleta de acasos.

Um boi, uma melancia. Por exemplo: Awadh bin Laden, avô de Osama, pediu um empréstimo para comprar um boi e poder lavrar a sua terra depois de uma tempestade, mas o boi morreu subitamente, e o credor, Bilawal, exigiu-lhe a ultrajante quantia de 40 riyals de prata. Sem ter como pagar, Awadh ofereceu parte das suas terras, mas uma seca atingiu a região e nada cresceu. Ameaçado de morte, só lhe restou fugir para um planalto mais elevado e recomeçar: Wadi Doan, o tal que deve a sua configuração a Deus se ter sentido ofendido.

Foi a primeira viagem. Muitos hadhramis partiam, descendo para a costa e, depois, em barcos de madeira, Mar Vermelho acima. Alguns para a Etiópia. Muitos até Jidá, a porta de entrada na Arábia para os peregrinos muçulmanos a caminho de Meca.

Mohamed, filho mais velho de Awadh, ficou sem pai e fez as duas viagens.

Terá nascido em 1908 e iniciado a primeira aos 12 anos, com o irmão, Abdullah. A Jidá chegou com 14 ou 15 anos: no relato de Abdullah, velejaram à volta da Península, subiram até Jizan, 60 quilómetros a sul de Jidá, e a seguir andaram; perdidos no deserto, quase morreram à fome, mas, depois de uma violenta tempestade, descobriram uma quinta e nela uma melancia que comeram, sentindo-se a renascer.

Jidá, por fim. "Talvez somente um adolescente que tivesse conhecido as privações de Hadhramaut conseguisse encarar este porto varrido pelas doenças e sem uma única rua pavimentada, como um lugar cheio de oportunidades", escreve Steve Coll. Mas Mohamed vira em Doan "os orgulhosos arranha-céus de lama" construídos por quem tinha "feito fortuna em todo o tipo de locais improváveis" e tinha "dentro de si algo que o impulsionava a procurar a sua fortuna".

O país dos Saud

Poucos anos antes de Mohamed nascer, era Abdulaziz Ibn Saud que saía do Kuwait "com uma espada na mão, alguns camelos e um pequeno grupo de seguidores, para reivindicar em nome da sua família a cidade de Riad, uma povoação com muralhas de lama no planalto da Arábia central, bem como o insignificante reino que ela governava". Cinquenta e duas batalhas depois, cicatrizes no corpo e uma perna coxa, em 1932, anunciava o nascimento do novo reino. E depressa assinava contratos para a exploração de petróleo. Formou-se um consórcio, a Aramco (Arabian American Oil Company), que empregou Mohamed e o rapaz que quando chegara a Jidá já era cego de um olho, subiu em menos de três anos de assentador de tijolos a capataz de várias equipas de assentadores de tijolos. E logo decidiu começar o seu negócio.

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Comentário + votado

A morte dum idiota demoníaco

Sou como São Tomé, gostava de ter visto a foto do tal senhor que morreu, para que possa eu também ...

Cristina Cruz

02.05.2011 14:21

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