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Incêndio em armazém da Sony destrói milhares de discos e vinis

O reino da música indie foi destruído pelos motins de Londres

10.08.2011 - 11:21 Por Cláudia Carvalho

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Armazém da Sony ficou completamente destruído Armazém da Sony ficou completamente destruído (Reuters)
A indústria discográfica também não passou impune aos recentes acontecimentos de Londres. Um incêndio provocado, na segunda-feira à noite, pelos envolvidos nos motins londrinos destruiu um armazém da Sony, em Enfield, que tinha parte do espaço arrendando à distribuidora PIAS e a outras 150 editoras independentes. Os prejuízos são muito elevados e algumas editoras poderão mesmo não sobreviver.

No armazém de três pisos, com uma área de 20 mil metros quadrados, as editoras tinham a maior parte do seu "stock", que alimentava a indústria discográfica do Reino Unido. A PIAS, que tinha praticamente todo o seu material neste armazém, é a maior distribuidora de música independente do Reino Unido.

“Houve um incêndio no armazém da SonyDADC onde funcionava a distribuição física da PIAS no Reino Unido e na Irlanda. A PIAS está a trabalhar de perto com a SonyDADC, que está a implementar os seus planos de emergência”, pode-se ler no comunicado da distribuidora.

Mas se para as editoras maiores, como a PIAS, os estragos, apesar de serem altos, não são fatais, uma vez que estas empresas têm outros armazéns e escritórios espalhados pelo país, permitindo-lhes um funcionamento minimamente normal. Para as editoras pequenas, o incêndio poderá significar o fim do negócio. Durante o dia de ontem, a Memphis Industries, escreveu no Twitter: “Todo o 'stock' que nos resta está no nosso escritório. Devastado é a palavra”.

Além destas editoras, também a Domino, a Warp e a XL, que representam artistas como os Arctic Monkeys ou a Adele, tinham o seu material neste armazém.

À rádio BBC 6 Music, Spencer Hickman da editora Rough Trade East record disse que os danos para a sua editora são avassaladores. “É o caos completo, não sabemos quanto tempo vamos levar a recuperar. Há pessoas que perderam tudo o que tinham no armazém. Tenho a certeza que existem editoras que não tinham seguros. Tenho a certeza que há editoras que vão à falência.”

Ao longo do dia de ontem as mensagens de apoio às editoras e, consequentemente, às bandas, afectadas multiplicaram-se nas redes sociais. A compra da música tornou-se uma urgência. Nas suas páginas do Facebook ou do Twitter, as bandas pedem o apoio dos fãs, apelando que comprem música, uma forma rápida e com efeito na recuperação das editoras.

Alison Wenham, presidente da Association of Independent Music (AIM), escreveu em comunicado: “Isto é um desastre para a comunidade musical; mas, com a ajuda dos fãs, as editoras e os artistas sobreviverão. Por favor, dêem o vosso apoio à comunidade musical comprando hoje um álbum digital de uma etiqueta discográfica independente, assim como indo às suas lojas locais e comprarem enquanto ainda existe stock”.

“A venda física é ainda absolutamente crucial para muitos no sector independente”, disse ao “The Guardian” Paul Scaife, analista da indústria discográfica, explicando que “isto poderá fazer a diferença entre os que sobrevivem e os que vão sair dos negócios”.

Proprietário de uma editora, promotor e DJ, Rob Da Bank disse à mesma publicação que todo o "stock" da sua empresa ardeu no incêndio. “Estou furioso com o que estas pessoas estão a fazer e estou devastado pela PIAS e todas as editoras que perderam os seus materiais. Mas neste momento estou mais preocupado em parar este comportamento estúpido que está a acontecer.” Para Rob Da Bank, o negocio não vai acabar mas as editoras que perderam o seu material vão ter um grande problema pela frente, uma vez que agora não têm nada para vender. “Se olharmos para as editoras envolvidas nisto, estão algumas das mais importantes de indie do mundo. Só espero que estas pessoas percebam que foi música que eles destruíram, não estão a ajudar ninguém”, continuou o empresário.

O incêndio terá efeitos já nos próximos lançamentos. Os Arctic Monkeys, por exemplo, tinham o lançamento do novo single “The Hellcat Spangled Shalalala”, agendado para o dia 15 de Agosto, mas como parte do "stock" ficou destruído, o novo trabalho será lançado em número limitado.

Também o primeiro álbum a solo de Charlie Simpson deveria estar a chegar às lojas mas a distribuição terá que ser adiada, ainda sem uma nova data definida. O incêndio resumiu a cinzas os 30 mil álbuns do artista.

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música indie

Bom, o positivo a retirar de tudo isto é mesmo o fim da música indie, lol. E vá, digam já que eu ...

samuel

10.08.2011 20:58

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