Bibi Netanyhau ou Tzipi Livni? Coligação à direita, à esquerda ou de unidade? Avigdor Lieberman, o fenómeno, pode decidir as eleições de hoje.
1. Knesset, o Parlamento
Aqui, a História tem 60 anos e está neste corredor.
1949: Haim e Vera Weizmann, casal presidencial, a caminho da primeira sessão do parlamento. 1956: Ben Gurion no restaurante do edifício antigo, com os cabelos brancos sempre em pé. 1957: Ben Gurion levado de maca, depois de um doente mental ter atirado uma granada para o plenário. 1970: Golda Meir, a olhar da escuridão, temível, com um cigarro. 1977: Menahem Begin a sorrir depois de ter derrotado 30 anos de trabalhistas. 1978: Moshe Dayan, o mítico general da pala, conversa com Weizmann. 1980: militantes na bancada do público, com letras nas T-shirts a formar a frase "Paz Agora". 1980: Sadat a sussurrar ao ouvido de Begin, após o acordo israelo-egípcio.
Foi a última paz.
Depois, deputados e ministros sucederam-se neste corredor, a caminho do plenário, mas Israel nunca conseguiu sair da guerra.
"Conhece as tapeçarias?", pergunta Giora Pordes, um sósia de António Lobo Antunes que há muito é assessor de imprensa no Knesset e está a fazer uma visita guiada ao PÚBLICO.
Estuga o passo no chão de mármore que 50 mil pessoas por ano atravessam em visita, até ao átrio de Marc Chagall. Aí está o imenso tríptico de tapeçarias concebido como uma paisagem com múltiplas cenas bíblicas, gente, animais e plantas, um ano antes da Guerra dos Seis Dias. No corredor das fotografias a preto e branco que contam a história, também lá está essa, Chagall com Golda Meir diante das tapeçarias em 1966, ele a rir, ela de mão na boca, do espanto.
Continuando, chega-se ao edifício novo, onde agora funcionam as comissões e neste momento há dezenas de jovens agarrados a papéis, muitos deles religiosos, com "kipas". "Estamos a treiná-los para a contagem dos votos dos diplomatas e dos soldados, que vai ser feita aqui", explica Pordes.
Mas o centro de tudo é o plenário, deserto há meses, a aguardar os novos habitantes. Inaugurado em 1967, continua a ser uma típica sala dos anos sessenta, em ocre e castanho, com uma parede em pedra esculpida, cadeiras de couro, mesas de linhas rectas.
O semicírculo central, 24 cadeiras, é para o Governo. "É maior do que o costume, por causa da coligação", explica Pordes. Da eleição de hoje é muito provável que resulte um Governo igualmente grande, por causa da coligação.
Depois, de frente para a bancada de imprensa, ficam os deputados do(s) partidos(s) do Governo e, de costas, a oposição.
Aqui fazem-se as leis de Israel, e é cada uma destas 120 cadeiras que hoje está a ser disputada por um país indeciso (entre 15 a 30 por cento) e farto do conflito com os palestinianos.
2. Kotel, o Templo



