Face ao cada vez maior número de forças americanas no Haiti, os dirigentes haitianos garantiram hoje que o país não está “sob tutela” dos Estados Unidos. Segundo as últimas informações da Organização Internacional para as Migrações (OIM), o sismo da semana passada deixou sem abrigo "pelo menos 500 mil pessoas".
“É claro que os americanos estão aqui a nosso pedido e que não estão aqui para outra coisa senão assistir às nossas necessidades humanitárias e de segurança, no quadro por exemplo de transporte de bens”, declarou o primeiro-ministro haitiano, Jean-Max Bellerive, à rádio RTL. “Toda a gente está de acordo que a ajuda dos diferentes exércitos num contexto controlado, concertado e no quadro de um diálogo é bem-vinda no Haiti”, cita a AFP.
Ontem, o Pentágono anunciou que irá mandar mais quatro mil soldados para participarem nas operações de socorro às vítimas do terramoto de dia 12. Trata-se, segundo a agência francesa, de contingentes que estavam destinados à Europa e Médio Oriente: uma unidade de intervenção anfíbia do USS Nassau e do 24º corpo expedicionário de marines.
A ordem para se dirigirem ao Haiti foi dada na terça-feira, e esta força irá juntar-se aos 12.500 elementos do Exército que já se encontram no país. Os militares americanos contam ainda com vários helicópteros e navios, incluindo um porta-aviões nuclear e um barco-hospital.
A EFE noticia que os soldados deram ordens durante a noite para que os jornalistas estrangeiros abandonassem o aeroporto da capital até às oito da manhã de hoje (13h00 em Lisboa). Não foram explicados os motivos, apenas referiram que esta decisão diz respeito a todos os repórteres.
Ontem, o Presidente venezuelano voltou a acusar Washington de estar a encapotar uma invasão. “O império americano tomou o Haiti sobre os cadáveres e lágrimas do seu povo”, acusou Hugo Chávez. “Começaram pelo aeroporto... Se quiserem entrar nas ruínas do Palácio Presidencial, encontrarão os marines dos EUA."
O chefe de Estado do Haiti, René Préval, explicou que não se trata de uma invasão. A chefe da diplomacia dos EUA, Hillary Clinton, “veio cá esta semana e perguntou se eu estava de acordo que os militares americanos viessem ajudar. Disse-lhe que sim. É neste quadro que isso foi feito”, declarou ao diário “Libération”. Para Préval, a presença do Pentágono é um sinal de que “o Haiti não está só”.
Novos acampamentos
O Governo do Haiti anunciou entretanto que os desalojados começaram a ser transferidos para campos organizados, com capacidade para acolher cada um até dez mil pessoas. Só na capital, o sismo desalojou meio milhão de pessoas, revelou a OIM que contabilizou até agora 447 acampamentos improvisados.
"O número de desalojados está a aumentar e não inclui as pessoas fora de Port au Prince", adiantou o porta-voz da organização, lembrando que várias cidades a oeste da capital sofreram danos equiparáveis.
As condições de vida nos acampamentos são muito difíceis e a sua dispersão dificulta o encaminhamento da ajuda internacional, dificultada já pela falta de meios para a transportar e pelo mau estado de muitas vias.
As autoridades de Port au Prince referem que o terramoto fez pelo menos 75 mil mortos e 250 mil feridos, mas estes números não incluem os corpos que foram enterrados pelas famílias, nem os que ainda estarão debaixo dos escombros.
Entre as vítimas estão 61 funcionários das Nações Unidas, segundo o mais recente balanço da organização. A ONU adianta ainda que outros 180 trabalhadores, na sua maioria estrangeiros, continuam desaparecidos.
Notícia actualizada às 15h05



