Nem só de centros islâmicos se fazem as polémicas sobre novos edifícios em Manhattan: o projecto de um novo arranha-céus foi aprovado para desagrado dos proprietários do Empire State Building, por ser demasiado próximo do histórico edifício - em altura e em vizinhança.
O plano de construção do 15 Penn foi aprovado quarta-feira pela autarquia por 47 votos a favor e um contra, com o apoio do mayor Michael Bloomberg. O novo edifício é desenhado pelo gabinete de arquitectura Pelli Clarke Pelli, responsável pelas torres Petronas na Malásia e pelo Centro Internacional de Finança de Hong Kong. Terá 68 andares e 370 metros de altura, contra os 102 andares e 381 metros do mítico Empire State (1931).
Ainda assim, os proprietários do Empire State temem que o novo arranha-céus, que ficará na 7.ª Avenida, frente ao pavilhão Madison Square Garden e à movimentada Penn Station (450 mil passageiros/dia), faça sombra ao Empire State Building, localizado entre a Quinta Avenida e a Rua 34. "Não se trata de proibir construções altas, mas de preservar o carácter único da paisagem urbana", disse um dos proprietários, Anthony Malkin, à AFP.
Os proprietários do Empire State argumentam que o novo prédio diminuirá o estatuto icónico do antigo arranha-céus, neste momento o mais alto de Nova Iorque, após a destruição das Torres Gémeas pelos ataques terroristas de 2001, e que danificará o perfil do horizonte da cidade.
Afectará, inevitavelmente, a vista sobre Manhattan do lado oeste do Empire State. Como escrevia ontem o New York Times, Anthony Malkin chegou a propor, numa intensa campanha de lobbying - que incluiu publicidade e uma sondagem -, que ali fosse criada uma zona de exclusão de novos arranha-céus. Malkin defendia ainda que esta ideia é como permitir a construção de uma plataforma petrolífera ao lado da Estátua da Liberdade ou de um arranha-céus junto à Torre Eiffel ou ao Big Ben.
Mas é exactamente pelo intenso movimento da zona que o edifício, a construir daqui a alguns anos para a imobiliária Vornado Realty Trust por 2,3 mil milhões de euros e ainda sem inquilino em vista, pôde ser projectado com tais dimensões e mereceu o apoio de Bloomberg. O 15 Penn, como é conhecido, inclui ainda uma promessa da Vornado de investimento de 78 milhões de euros na zona circundante, para remodelar as entradas do metro e da estação ferroviária. Apesar dos seus temores, Malkin garante que o 15 Penn só vai enfatizar as vantagens do Empire State, que terá rendas mais baixas do que o novo edifício.
Em tempo de recessão, defende a assembleia municipal de Nova Iorque, estes projectos servem como sinal de que a cidade "está a andar em frente" e de garante de que haverá "uma nova e importante torre de escritórios em Midtown". Malkin insiste que a torre devia ser menor. Mas com a construção do One World Trade Center (541 metros), o novo edifício tornar-se-á o mais elevado dos EUA.


