Contra Kadhafi. A favor de Kadhafi. Contra Mugabe. A favor de Mugabe. Pelos direitos das crianças. Pela libertação de Cabinda. Contra a África “parasita”. Esta manhã, a Gare do Oriente foi de todos. E nem tudo foi pacífico. O corpo de intervenção da PSP teve de intervir para separar alguns manifestantes, o que resultou num ferido ligeiro e numa detenção.
“A terra é a questão! Levantem as vossas sanções ilegais!” e “O Zimbabwe não será uma colónia outra vez!” era o que constava das primeiras faixas a serem exibidas, a meio da manhã. Os manifestantes foram rapidamente crescendo, primeiro em apoio dos “heróis africanos” Muammar Kadhafi e Robert Mugabe, ao som da batucada do grupo angolano Kilandukilu.
Depois chegaram os críticos, em menor número, mas munidos de megafones. “Contra a ditadura e pela liberdade”, gritava Hasan al-Djahmi, refugiado político na Suíça, oriundo da Líbia, acusando os apoiantes que se manifestavam a dez metros de estarem ali “por dinheiro”.
Do outro lado, dizia-se que a concentração era espontânea, mas António Tavares, da Casa de Angola, confirmava o convite da embaixada da Líbia em Lisboa. “Provavelmente, nenhum problema será resolvido [na cimeira], mas poderão surgir ideias e pistas para concertações”, preferiu realçar.
Do lado crítico da barricada cívica estavam também elementos da Causa Identitária, associação pela “promoção da identidade nacional e europeia”, que considera “inadmissível” a presença de Mugabe em Lisboa. “África é um continente parasita. Foi-lhes tudo entregue e não souberam aproveitar”, resumiu Diogo Canavarro, presidente da direcção.
Enquanto se ouviam as vozes de sete crianças de Angola, Serra Leoa, Etiópia e Reino Unido, reclamando que “não podem esperar”, Claire Beston, da organização Save the Children, recordava que 4,8 milhões de crianças não chegarão ao próximo aniversário por “causas muito simples, que podem ser prevenidas e tratadas, como a diarreia e a pneumonia”. “Eles [os líderes europeus e africanos] não estão a cumprir as suas promessas”, insistia, sublinhando que a diminuição da mortalidade infantil integra os oito Objectivos de Desenvolvimento do Milénio.


