- « anterior
- 1
- 2
- 3
- 4
- 5
- 6
- 7
- seguinte »
Nada foi surpreendente mas esteve tudo muito bem. Como se esperava. Como a família real britânica precisava. A noiva, o vestido, a cerimónia ajudaram a recuperar a sofisticação e o glamour que tem faltado nos últimos tempos à família real. São as conclusões do designer de moda Nuno Baltazar, que comentou a cerimónia em directo no Público online.
Como em todos os casamentos, o momento mais esperado era a chegada da noiva, Catherine “Kate” Middleton. Neste caso, era mais saber quem desenhara o vestido. “Gostava que fosse a casa Alexander McQueen”, dizia Nuno Baltazar poucos minutos antes de a noiva aparecer. O seu desejo foi satisfeito. Apesar de não ser uma criação da Alexander McQueen, que se suicidou no ano passado, foi a escolha acertada, considera o designer. Sendo um vestido para o casamento de um príncipe que, um dia, será rei (William, o noivo, é o segundo na linha de sucessão), não teve nenhum dos ingrediente mais excêntricos que fazem parte da assinatura McQueen. “Mas tinha toda a elegância e modernidade a que a etiqueta McQueen nos habituou”.
Neste casamento houve uma preocupação patriótica. O que como que anunciava que esta seria a escolha mais acertada.
Kate Middleton, agora duquesa de Cambridge, “optou por uma marca inglesa que ultrapassou claramente Vivianne Westwood ou Paul Smith, há muito referências da moda inglesa”, considerou Nuno Baltazar. “E não deixou de ser uma homenagem áquele que foi, sem dúvida, o grande génio da moda inglesa; e vem confirmar que a marca se mantém viva.”
Mal viu a noiva, o primeiro comentário de Nuno Baltazar na cobertura minuto a minuto que o PÚBLICO online fez da cerimónia, foi: “o vestido tem um corpo estruturado até à cintura. É todo em cetim duchesse (o Rolls Royce dos cetins), com renda chantily sobreposta. O decote é em V e a manga é justa. A saia rodada tem com pregas a partir da cintura, detalhe típico dos anos 50, e tem também pregas na parte de trás, o que lhe dá tridimensionalidade e ajuda a dar mais volume e comprimento à cauda. Esta, em formato U tem o comprimento certo e não é demasiado pesada. Um compromisso perfeito entre o tradicional e o jovem, como ela é."
Nuno Baltazar considerou que a escolha do vestido reflectiu o espírito de modernidade da noiva, que soube manter-se fiel ao design britânico mas não aos nomes mais tradicionais. O vestido, garantiu o designer de moda português, vai tornar-se tendência. “De certeza absoluta”. Sendo que tem a vantagem de ser intemporal: é bonito hoje e vai continuar a ter beleza daqui a muitos anos.
No capítulo dos acessórios, a noiva usou uma tiara Cartier de 1936, que foi oferecida pela rainha mãe à então princesa Isabel quando esta completou 18 anos. Os brincos foram desenhados propositadamente para a cerimónia pelo joalheiro Robinson Pelham.
O bouquet de flores campestres, muito pequeno, foi delicado, disse Nuno Baltazar. A maquilhagem foi também discreta, destacando os olhos, que estavam fumados e realçavam a cor do olhos da noiva, dando profundidade ao olhar.
O único apontamento menos feliz que Nuno Baltazar apontou foi o véu, que caia a direito sobre a testa e rosto da noiva. “Estava demasiado próximo da cara”, sentenciou o designer.
Os elegantes
Nuno Baltazar elegeu a irmã de Kate, Philippa “Pippa” Middelton e a princesa Victoria da Suécia como as mais bem vestidas da cerimónia. “A irmã da noiva é muito bonita e fica muito bem dentro do vestido comprido anatómico, cor de marfim, drapeado e a contornar muito o corpo. O vestido, também da autoria de Sarah Burton, realça a sua silhueta invejável. Também ela optou por um look discreto sem adornos demasiado ostensivos.”
“O Príncipe William esteve bem, apenas com um ar mais velho. O facto de estar com menos cabelo puxa-o mais para o lado dos príncipes de Gales e abafa um pouco o sorriso terno que herdou da sua mãe”. Quanto ao resto das escolhas de roupa da família real, o comentário menos bom vai para a Rainha Isabel II “Está igual a si própria, num conjunto amarelo ‘mal-disposto’!”



