Nuclear: Irão dá conta de uma "nova atmosfera" nas negociações internacionais

02.07.2008 - 19:14 Por PÚBLICO, Agências
O Governo iraniano diz existir uma “nova atmosfera” nas discussões com as potências internacionais, na sequência da proposta que foi apresentada por Javier Solana, e acredita que há possibilidades de chegar uma solução negociada para o diferendo relativo ao seu programa nuclear.
Numa conferência de imprensa na sede das Nações Unidas, o chefe da diplomacia iraniana, Manouchehr Mottaki, prometeu para “muito breve” uma resposta formal à carta que lhe foi entregue no mês passado pelo alto representante da União Europeia.
A missiva, subscrita pelos EUA, Rússia, China, França, Reino Unido (membros permanentes do Conselho de Segurança) e Alemanha, propõe um conjunto de incentivos para que Teerão suspenda as suas actividades nucleares, actualmente centradas no enriquecimento de urânio.
Mottaki, que falou aos jornalistas através de um intérprete, disse hoje que “as declarações e posições construtivas” registadas nas últimas semanas, combinadas com uma proposta feita há alguns meses pelo Irão “abriram caminho a uma nova atmosfera” nas negociações.
“Antevemos novas oportunidades e vemos a possibilidade de chegar a uma solução multifacetada”, acrescentou, apesar de lamentar os sucessivos rumores sobre a possibilidade de um ataque israelita às suas instalações nucleares.
O optimismo do chefe da diplomacia iraniana parece estender-se, ainda que de forma prudente, a Javier Solana, que hoje se congratulou com as palavras de um dirigente iraniano, segundo o qual é necessário chegar a um “compromisso” sobre o programa nuclear do país.
“Espero verdadeiramente que este sentimento, esta ideia, se concretize”, afirmou o alto representante da União Europeia que, no entanto, prefere esperar pela resposta formal de Teerão às propostas que lhe apresentou.
Num artigo publicado hoje no jornal “Libération”, o conselheiro do Guia Supremo iraniano para os Assuntos Diplomáticos diz que é necessário um “compromisso” entre Teerão e a comunidade internacional para superar o diferendo nuclear.
“A tecnologia e o domínio do [conhecimento] nuclear civil iranianos devem ser preservados. Eles constituem uma conquista para os objectivos pacíficos do Irão e uma herança da geração da revolução”, escreve Ali Akbar Velayati. Sublinhando que Teerão é signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear, “o que lhe dá direitos em contrapartida de compromisso”, Velayati diz que é nesse quadro que “poderá ser encontrado um compromisso para as preocupações comuns ao Irão e aos outros Estados”.
As potências internacionais exigem que o regime iraniano renuncie ao enriquecimento de urânio, por suspeitarem que o país possa usar esta fase sensível do ciclo nuclear para produzir bombas atómicas. O Irão rejeita esta acusação, garantindo que o programa se destina exclusivamente à produção de energia e nem as sanções que lhe foram impostas pelo Conselho de Segurança da ONU levaram Teerão a suspender as suas actividades nucleares.

