Novo primeiro-ministro da Tailândia fez discurso de posse fora do Parlamento

30.12.2008 - 12:45 Por Reuters
O primeiro-ministro tailandês, Abhisit Vejjajiva, avisou hoje que a economia do país pode entrar em recessão, quando finalmente proferiu o seu discurso de posse, que foi atrasado devido a protestos que bloquearam o Parlamento durante dois dias.
Sublinhando os problemas que afectam o seu frágil governo de coligação, o quarto primeiro-ministro da Tailândia em 2008 foi forçado a proferir o seu discurso no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Falando em directo para a televisão, Abhisit disse que a profunda divisão política do país pode lançá-lo “numa recessão se não forem tomadas medidas rápidas para resolver a divisão e devolver confiança aos investidores e turistas estrangeiros”.
“Estes conflitos são a fraqueza do país, especialmente num momento em que a economia mundial entra na sua pior crise do último século”, disse aos deputados reunidos num átrio normalmente utilizado para recepções diplomáticas.
Enquanto falava, centenas de apoiantes do anterior primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, que foi destituído num golpe em 2006 e vive no exílio, bloquearam o portão do ministério e pediram a Abhisit que convocasse novas eleições.
“Este encontro foi ilegal”, fritou o líder do grupo pró-Thaksin Aliança Democrática contra a Ditadura, fazendo eco do que defendem cerca de cem parlamentares da oposição que boicotaram este encontro especial do parlamento.
Após um breve jogo do empurra com a polícia, os manifestantes abandonaram depois o cerco e voltaram ao Parlamento. De seguida, Abhisit e cerca de 300 deputados saíram sob escolta policial.
Um porta-voz do Partido Democrata, de Abhisit, disse que, constitucionalmente, este discurso não tinha de ser proferido no parlamento e que havia um número de deputados presentes suficiente para dar quórum à assembleia.
Disse também que a maior preocupação do novo primeiro-ministro era evitar a repetição dos confrontos sangrentos em torno do Parlamento em Outubro, entre a polícia e os camisas-amarelas da Aliança do Povo para a Democracia, que protestavam contra o Governo pró-Thaksin então no poder.
Nesses confrontos, morreram duas pessoas e centenas ficaram feridas, nos piores incidentes em três anos de crise polític Ana Tailândia.


