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Novo presidente europeu: O primeiro-ministro que pacificou a Bélgica

20.11.2009 - 09:22 Por Ana Fonseca Pereira

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Colegas de governo destacam o seu humor cínico e o gosto pela literatura clássica Colegas de governo destacam o seu humor cínico e o gosto pela literatura clássica (Yves Herman/Reuters)
A maioria dos europeus pode nunca ter ouvido o seu nome, mas Herman Van Rompuy conseguiu em menos de um ano tornar-se um primeiro-ministro consensual numa Bélgica mergulhada nas divisões linguísticas. Ainda antes da sua nomeação, a imprensa europeia descrevia-o como um negociador hábil e persistente, um homem de convicções firmes mas ávido de entendimentos.

Ministro das Finanças entre 1993 e 1999, conhecido pela sua obsessão com o défice, o democrata-cristão flamengo foi nomeado primeiro-ministro em Dezembro de 2008, apesar da sua anunciada relutância em substituir o demissionário Yves Leterme. Liderava, então, a Câmara dos Representantes, depois de oito anos na oposição ao governo do liberal Guy Verhofstad.

Em poucos meses de governo, conseguiu pacificar a atmosfera entre partidos flamengos e valões, impondo à caótica coligação de cinco partidos o já famoso "método Rompuy", forçando os ministros a manterem-se em silêncio, antes de cada um deles ser autorizado a falar. Os críticos apontam-lhe a frieza calculista e o cinismo; os apoiantes louvam-lhe a inteligência e capacidade de síntese - qualidades que terão sido notadas em Bruxelas, apesar de ter estado em apenas duas cimeiras.

Nascido em 1947, numa família de Bruxelas com tradições políticas, Rompuy estudou num colégio jesuíta e na Universidade Católica de Lovaina, onde se doutorou em Economia. Militante desde a juventude do partido Democrata Cristão Flamengo (CD&V), é um católico convicto e conservador, conhecido por frequentes retiros espirituais. É esta matriz que o levou a pronunciar-se, ainda na oposição, contra a candidatura turca à UE, alegando que aquele país "nunca foi nem nunca será parte da Europa".

Colegas de governo destacam ainda o seu humor cínico e o gosto pela literatura clássica, em especial poesia haiku, composição japonesa de três versos e 17 sílabas que o jornal "Le Monde" descreveu como a arte de "dizer muito com poucas palavras" - dotes certamente úteis ao presidente do Conselho Europeu.

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