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Ex-primeiro-ministro quer derrubar a sua sucessora

Novo golpe palaciano abala o Governo australiano

24.02.2012 - 20:04 Por Ana Fonseca Pereira

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Kevin Rudd foi afastado do poder em 2010 Kevin Rudd foi afastado do poder em 2010 (Renee Melides/Reuters)
A vingança é um prato que se serve frio e o ex-primeiro-ministro australiano Kevin Rudd fez questão de cumprir à letra o adágio ao anunciar que pretende reclamar, 20 meses depois, o lugar que lhe foi retirado pela sua então adjunta Julian Gillard, actual líder de um governo minoritário e em queda nas sondagens.

“Quero terminar o trabalho para que os australianos me elegeram, quando me escolheram para primeiro-ministro”, disse Rudd, confirmando uma intenção que se anunciava desde que, quarta-feira, renunciou ao cargo de ministro dos Negócios Estrangeiros.

Face ao desafio, Gillard convocou para segunda-feira de manhã (domingo à noite em Portugal) uma votação na qual os deputados trabalhistas terão de decidir quem querem como líder do partido e, por consequência, quem deverá liderar o Governo – uma repetição quase exacta do golpe palaciano que em 2010 levou a então vice-primeira-ministra ao poder.

Segundo a imprensa australiana, Gillard tem à partida o apoio da maioria dos 103 parlamentares, mas Rudd aposta na pressão popular. Uma sondagem divulgada nesta sexta-feira mostra que 60 por cento dos australianos consideram que ele foi um bom primeiro-ministro. Revela ainda que o seu regresso à liderança encurtará a vantagem dos conservadores chefiados por Tony Abbott, favoritos à vitória nas legislativas previstas para o final de 2013. “Vencer Abbott é vital e é exequível”, afirmou Rudd, dizendo que quer “restaurar a confiança” dos australianos que a rival não soube conservar.

“Isto não é um episódio do Big Brother das Celebridades”, respondeu Gillard, lembrando que foi ela quem reconduziu o Labor à vitória em 2010 (ainda que pela margem mínima) e que foi o seu executivo que aprovou a imposição de taxas de carbono sobre as industrias mais poluentes – uma reforma contestada pelo sector e que os conservadores prometem anular. “Falar é fácil, fazer as coisas é mais difícil e eu sou a pessoa para fazer coisas”.

O “divórcio político mais viperino da história da Austrália”, como lhe chamou a imprensa, está já a provocar cisões no Governo – alguns ministros aliaram-se a Rudd, mas outros recusam-se a continuar no cargo se ele vencer. E teme-se que a crise leve à antecipação das eleições se os ecologistas e os dois deputados independentes que garantem ao Labor a maioria no Parlamento não aceitarem uma eventual vitória de Rudd.


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