• Restaurantes de topo com menus a 20 euros
  • Dead Combo e skates na passerelle
  • Do Brasil a Portugal vão 6764.257 km de ilustração

Muhammad Yunus acusado de não cumprir regulamento

Nobel da Paz demitido do banco de microcrédito que fundou

02.03.2011 - 12:38 Por Francisca Gorjão Henriques

  • Votar 
  •  | 
  •  4 votos 
Yunus acusado de não cumprir as regras da instituição que fundou Yunus acusado de não cumprir as regras da instituição que fundou  (Robert Galbraith/Reuters)
Ao fim de meses de braço-de-ferro com o Governo, o pai do microcrédito, Muhammad Yunus, foi hoje demitido do Grameen Bank, que fundou.

“O Banco [Central] do Bangladesh dispensou Yunus das suas funções de director geral do Grameen Bank com efeito imediato”, declarou à AFP Muzammel Hud, presidente do Grameen Bank.

Segundo Huq, o Banco Central acusa o Nobel da Paz de não cumprir as regras fundadoras da instituição na nomeação do director-geral. “O artigo 14.1 prevê claramente que um director-geral seja nomeado por um conselho de administração com o acordo prévio do Banco [Central] do Bangladesh”, afirmou. “Yunus foi nomeado para o cargo em 2000 sem acordo prévio do Banco do Bangladesh”.

Segundo a BBC, Yunus violou ainda as leis da reforma, que o obrigariam a retirar-se aos 60 anos – tem agora 70.

O Grameen Bank foi criado para financiar projectos de populações pobres do Bangladesh, sem acesso ao sistema bancário tradicional, concedendo-lhes pequenos montantes de crédito – um modelo replicado em várias partes do mundo.

Há meses que Yunus tem estado sob a mira das autoridades. Sucederam-se os casos em que teve de se justificar publicamente, ora na imprensa, ora em tribunal.

A primeira-ministra, Sheikh Hasina, avisara em Janeiro que o Grameen – que é controlado em 25 por cento pelo Governo – iria ser investigado. Isto porque, em Novembro, um documentário norueguês acusou o banco de irregularidades financeiras: 100 milhões de dólares da agência norueguesa de auxílio humanitário Norad teriam sido indevidamente transferidos para outra empresa do grupo Grameen. As acusações foram analisadas e as autoridades de Oslo ilibaram o banco, mas os responsáveis de Daca decidiram "investigar imparcialmente o processo".

No final de Janeiro, Yunus comparecia perante a justiça devido a alegações de que um iogurte produzido por uma empresa ligada ao Grameen Bank em parceria com a agro-alimentar francesa Danone (num projecto de produtos lácteos com alto teor nutritivo destinado a populações desfavorecidas) não seria bom para a saúde. Um caso “sem fundamento” e com alegações “falsas”, segundo o seu advogado.

Uma semana antes, Yunus respondeu também em tribunal por um processo de difamação por ter declarado numa entrevista à AFP, em 2007, que a política no Bangladesh se resumia a ter "poder para fazer dinheiro".

Contas políticas
A origem dos problemas entre Yunus e a primeira-ministra, Sheikh Hasina, estará na turbulência política de 2007. Depois de meses de tumultos, com violentos confrontos nas ruas entre apoiantes dos dois principais grupos partidários, o Partido Nacionalista do Bangladesh e a Liga Awami, os militares tomaram o controlo do Governo na sequência de um golpe sem sangue, em Janeiro. Yunus anunciou então as suas intenções de criar o partido Poder dos Cidadãos como alternativa. "A minha política será a da unidade e da paz para criar honestidade na política e mudar o destino da nação", afirmou então.

Meses depois a ideia seria abandonada, mas estava criada a rivalidade com Hasina, cuja Liga Awami voltou ao poder em Dezembro de 2008, depois de uma vitória nas urnas.

"O partido no poder não está contente com ele. Há a intenção de o prejudicar pessoalmente e de lhe mandar a mensagem de que não é indispensável", comentou à AFP no final de Janeiro Salauddin Aminuzzaman, professor de Ciência Política da Universidade de Daca. Aminuzzaman adiantava que a maior parte da população não tem dúvidas de que todos os casos judiciais contra Yunus são um ajuste de contas da primeira-ministra.

Há quem pense também que o Governo estará a tentar apoderar-se do Grameen Bank: uma em cada três pessoas no país está ligada ao banco. Depois de ter defendido o microcrédito, Hasina afirmou recentemente que esta é uma forma de "sugar o sangue dos pobres em nome do combate à pobreza".

Estatísticas

  • 33 leitores
  • 4 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1482887

Comentário + votado

A tal tipa deve ser o Sócrates lá do burgo

Yunus, até prova em contrário e um herói. Parece que virou alvo a abater pela ...

fmart8

03.03.2011 09:17

X

Mais em Mundo (8 de 20 artigos)

França: Gerente de restaurante "fast-food" constituído arguido após morte de cliente