“Obrigado América”, agradeceu ontem o Presidente eleito dos Estados Unidos Barack Obama, aplaudido em delírio por uma multidão que encheu completamente o relvado do Mall da capital norte-americana e prometeu voltar amanhã para assistir à sua tomada de posse.
“Bem vindos à celebração da renovação da América”, cumprimentou Obama, que escolheu as escadarias do memorial de Abraham Lincoln, o Presidente republicano responsável pela abolição da escravatura e a união do país depois da guerra civil e que é o seu herói político, para o início oficial das comemorações da transição do poder.
“Este é um dia muito feliz, muito feliz”, repetia Monica Stewart, que caminhava com os filhos pequenos pela mão para lhes mostrar “o que é que parece a esperança”. “Basta olhar para este mar de gente, de todas as cores, a acenar e a sorrir. Estas são as caras da esperança. Já tinha saudades de ver pessoas tão felizes nesta cidade. Pode escrever aí que a mudança já começou a chegar a esta cidade”, observava.
“Vamos parar aqui. Este lugar é perfeito”, comandava à família. Atrás de si ficava a pequena colina a partir de onde se ergue o majestoso obelisco que celebra Washington, envolto num círculo de bandeiras americanas; e ainda mais para trás, minúsculo pela distância, o edifício do Capitólio. À sua frente, uma multidão ocupara já todo o espaço disponível até aos degraus do memorial de Abraham Lincoln, que serviu de palco às celebrações de ontem. “Temos dois ecrãs gigantes mesmo à nossa frente. Vamos conseguir ver tudo”, notava Monica, satisfeita.
“Tudo” era um festival de estrelas da música e do cinema, presença menos frequente em Washington, convidados para recitar as grandes frases do passado e exaltar o patriotismo americano. “Estamos aqui para celebrar a nossa história e o nosso futuro”, resumiu a actriz Ashley Judd.
Bruce Springsteen comoveu a multidão com uma versão acústica de The Rising acompanhado por um coro gospel. Tom Hanks fez um emocionado tributo a Abraham Lincoln. John Mellencamp deixou o Mall a cantar em uníssono Ain't that America. Queen Latifah lembrou Marion Anderson, uma cantora negra impedida de participar num concerto na capital por causa da cor da pele, e mais tarde convidada para actuar naquela mesma escadaria pela antiga Primeira Dama Eleonor Roosevelt. Will.i.am e Sheryl Crow fizeram todos saltar com a sua interpretação de One Love. E Stevie Wonder, um dos preferidos do Presidente eleito, pôs toda a família Obama a dançar.
Linda Gillespie, e a sua amiga Pat, que veio de Chicago para poder assistir à tomada de posse de Barack Obama, estavam entusiasmadas com tantas estrelas mas com uma em particular. “Isto é muito engraçado, a música e as celebridades, mas a única razão por que estamos aqui é Obama. Isto é tudo por causa de Obama”, garantia Linda.
Foi por causa do futuro Presidente que Pat, que trabalhara como voluntária na candidatura de Obama ao Senado do Illinois, em 1996, guiou sozinha por 12 horas até à capital dos Estados Unidos. “Quando ouvi Obama pela primeira vez, percebi que ele era o futuro deste país”, lembra.
Ficou surpreendida quando o senador arriscou candidatar-se à presidência - “sempre pensei que ele acabaria por fazê-lo, mas achava que ia esperar por 2012”, confessou ao PÚBLICO -, mas nunca duvidou que Obama venceria as eleições.
Muitos desafios pela frente
Pelas suas palavras ontem, Obama também sempre acreditou que a sua campanha só podia terminar em vitória. “Se conseguíssemos reunir toda a gente, democratas e republicanos e independentes, e restaurássemos a esperança”, observou. “Vocês provaram que as pessoas que acreditam no país o podem mudar. E que não há nada que possa silenciar milhões de vozes a pedir mudança”, concluiu.
“O nosso país está em guerra e a nossa economia está em crise”, lembrou o futuro Presidente. “E eu não vou fingir que os desafios que temos pela frente vão ser fáceis: não vai demorar um dia ou um mês, mas muitos anos, para ultrapassar os problemas com que nos confrontamos”, declarou.




