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Entrevista com o especialista em segurança internacional do MIT Jim Walsh

"Ninguém sabe o que quer a Coreia do Norte"

25.05.2009 - 15:43 Por Maria João Guimarães

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Fazer "testes não quer dizer nada sobre a capacidade", diz Jim Walsh Fazer "testes não quer dizer nada sobre a capacidade", diz Jim Walsh  ()
O perito em segurança internacional do MIT (Massachusetts Institute of Technology) Jim Walsh disse, numa conversa telefónica com o PÚBLICO, que pode haver nesta provocação norte-coreana do que a tentativa de chamar a atenção da Administração Obama. De qualquer modo, a tentativa de impor sanções não servirá qualquer objectivo: “Não se pode fazer sair sangue de uma pedra”.

O que quer a Coreia do Norte com este teste?

Quem me dera saber. Ninguém sabe com certeza. A sociedade é muito fechada. Neste momento há duas teorias: uma é a tradicional: a Norte Coreia está interessada em melhorar a sua posição antes de voltar às negociações. Estas provocações dividem os outros governos: o Japão fica muito incomodado, a China fica menos, e essas divisões melhoram a posição da Coreia do Norte.

A segunda diz que a questão é menos sobre relações internacionais e mais sobre política interna. Muitas vezes quando os países estão fracos – e a Coreia do Norte está a debater-se com o problema da sucessão, há incerteza no plano doméstico – fazem alguma coisa para comunicar força tanto para dentro como para fora. Temos de pensar que pode estar a acontecer uma transição política dentro da Coreia do Norte e que isto poderá ser parte dela.

Como saberemos qual das hipóteses está certa?

Na última vez que a Coreia fez uma provocação destas voltou às negociações dos seis [grupo de países envolvidos na negociação do nuclear norte-coreano que inclui, para além da Coreia do Norte a China, Japão, Coreia do Sul, EUA, e Rússia] dentro de um mês. Não espero que isso aconteça se a segunda hipótese for verdadeira.

Quando haverá uma reversão da posição da Coreia? Algum país poderá fazer alguma coisa?

Os norte-coreanos vão voltar à mesa de negociações quando quiserem – não os podemos forçar.

E a reunião do Conselho de Segurança de hoje, em que deverão ser discutidas sanções?

O Japão quer mais sanções, a China pode querer ou não querer mas isso na verdade não interessa: não se pode tirar sangue de uma pedra. A Coreia do Norte já está sujeita a muitas sanções, mais não vão adiantar nada. Se a razão for a segunda, questões internas, então não há mesmo muito que se possa fazer.

A única coisa que alguém pode fazer, e tenho a certeza que farão, são os Estados Unidos, que podem tentar acalmar o Japão. Em conclusão, se a razão deste teste for tentar ganhar vantagem nas negociações, podemos ver um regresso da Coreia às negociações dentro de relativamente pouco tempo. Se a razão for doméstica, bem, isso vai demorar bastante mais tempo a resolver-se.

Podemos esperar um conflito?

Não. Não estamos à beira de uma guerra. A Coreia do Norte não tem nem a intenção nem sequer a capacidade para lançar um míssil com uma arma nuclear. Primeiro, seria um autêntico suicídio. Ter testes não quer dizer nada sobre a capacidade: primeiro os países costumam ter armas nucleares que possam ser levadas em avião, que é mais fácil, e só depois tentam lançar as armas em mísseis.

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Comentário + votado

Obrigado.

Primeiro dá-se a palavra a um dito "especialista americano" depois talvez ao mestre Kissinger velho ...

Miguel

27.05.2009 19:22

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