Atingidos dois hóteis de Jacarta

Ninguém reivindicou o duplo atentado contra dois hotéis na Indonésia que fez nove mortos

17.07.2009 - 19:13 Por Francisca Gorjão Henriques, O Ritz-Carlton e o Marriott foram os alvos dos atentados

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 (Dadang Tri /REUTERS)
Mulheres em roupões brancos, descalças, com os pés assentes no relvado aparado, olhavam incrédulas para o hotel. Turistas e empresários com o pequeno-almoço interrompido. Maçãs e pêssegos espalhados pelo chão, entre vidros partidos numa sala vazia. Num segundo, com duas bombas a explodir quase ao mesmo tempo em dois hoteis de luxo, a Indonésia transita de quatro anos de paz e segurança para um cenário de terror. Morreram nove pessoas, dezenas ficaram feridas, mas serão milhões as que viram nos atentados de ontem uma ameaça às suas vidas.

Como qualquer hóspede, um bombista deu entrada no prestigiado Hotel Marriott de Jacarta, na quarta-feira. Não levava uma bagagem qualquer: as suas malas continham explosivos, que manteve guardados no quarto. Uma outra bomba foi encontrada e desactivada numa pasta de computador no 18º andar. “O quarto 1808 tornou-se o seu posto desde o dia 15”, informou o chefe da polícia nacional, Bambang Hendarso Danuri, numa conferência de imprensa.

Quanto ao Ritz-Carlton, o circuito de câmaras interno permitiu ver um suspeito com um boné de baseball empurrando um saco com rodas e atravessando o lobby.

Ainda não eram oito da manhã (duas da madrugada em Lisboa) quando um homem entrou num café do Marriott, fazendo-se passar por um hóspede perante o segurança, relata a AFP. Accionou então a sua bomba, que o matou, juntamente com mais seis pessoas, incluindo um empresário neo-zelandês (ao que tudo indica, a única vítima estrangeira).

Pouco depois, a cena repetia-se no Ritz, na sala onde o pequeno-almoço estava a ser servido. “Foi muito alto, como um trovão, um som contínuo que foi seguido por uma segunda explosão”, dirá depois à Reuters Vidi Tanza, que trabalha perto do hotel. Outros afirmarão à BBC que “foi como um terramoto”.

Os dois hoteis ficam situados num bairro empresarial de Jacarta, e são por isso muito frequentados por estrangeiros. Não foi a primeira vez que o Marriott foi alvo de um ataque. Em 2003, uma bomba matou ali 12 pessoas. A segurança foi, por isso mesmo, reforçada. Estes seriam, aliás, os hoteis mais seguros de Jacarta. Mas não à prova de bala.

Se é verdade que se tornou difícil um atentado com um carro armadilhado - mais letal pela quantidade de explosivos que pode transportar -, ficou provado ontem que é possível um terrorista registar-se no hotel com explosivos nas malas.

Depois de uma vaga de atentados no início dos anos 2000 - o mais mortal foi o de Bali, que em 2002 matou 202 pessoas -, Jacarta não assistia a nenhum ataque terrorista desde 2004, quando dez pessoas morreram depois de uma viatura armadilhada explodir à frente da embaixada da Austrália. Mesmo as presidenciais do início do mês passaram incólumes.

“Eles riem”, diz Presidente

O Presidente Susilo Bambang Yudhoyono, que foi reeleito pelos indonésios em parte por causa da segurança em que o país parecia viver, não quis nomear nenhum grupo pela responsabilidade do crime. Mas disse que os seus autores “estão a rir-se e a festejar com raiva e ódio”.

“Eles não têm um sentimento de humanidade e não querem saber da destruição do nosso país, porque este acto de terror terá um impacto grande na nossa economia, no nosso clima empresarial, no nosso turismo, na nossa imagem no mundo”, cita a Reuters.

As explosões não deram só cabo dos vidros e tectos dos hoteis. Abalaram também a confiança nas perspectivas de crescimento da maior economia do Sudeste Asiático. A bolsa teve uma quebra de 2,7 por cento, a rupia caiu um por cento face ao dólar.

As condolências vieram de várias partes do mundo. Dos EUA, onde o Presidente Barack Obama disse estar “revoltado” e garantiu estar “ao lado dos indonésios”. Da Suécia, que lidera a presidência da União Europeia e que “condenou os ataques... que atingiram vários inocentes”. Da ONU, com o secretário-geral, Ban Ki-moon, a reconhecer “os esforços constantes feitos pelo Governo indonésio para levar à justiça os que cometeram actos terroristas no passado”. Também a Organização da Conferência Islâmica disse estar “indignada e em cólera contra o que “vai contra os valores pacíficos do islão”.

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PorUmPortugalSemSionistas

18.07.2009 10:33

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