Newt Gingrich regressou a um terreno que lhe é familiar: o da polémica. O candidato que lidera as sondagens na corrida à nomeação republicana para as presidenciais de 2012 disse que os palestinianos são um povo “inventado” que tem como propósito manter-se “em guerra contra Israel”.
A semanas do início das primárias, o antigo líder da Câmara dos Representantes está como muitos adversários apostado em conquistar o voto do eleitorado judeu. Numa entrevista ao Canal Judaico, uma estação de televisão por cabo dos EUA, distanciou-se da política oficial seguida há várias décadas pela diplomacia norte-americana.
“Temos que nos lembrar que a Palestina não existe como Estado. Era parte do império Otomano” ainda no início do século XX, afirmou Gingrich, acrescentando de seguida: “Penso que temos tido um povo palestiniano inventado quando, na verdade, o que temos são árabes [...] que tiveram a oportunidade de ir para qualquer outro lugar, mas que por várias razões decidiram manter desde a década de 1940 esta guerra contra Israel”.
Uma entrevista que foi, de imediato, repudiada por vários dirigentes palestinianos. “Estas declarações são vulgares, ofensivas e ridículas”, reagiu o primeiro-ministro palestiniano, Salam Fayyad, citado pela AFP, sublinhando que “nem mesmo os mais extremistas dos colonos [judeus] ousariam falar de forma tão ridícula”.
Já Saeb Erekat, durante anos um dos principais negociadores de paz palestinianos, disse à Reuters que este é o tipo de afirmações que “geram um ciclo de violência”.
“Qual é a causa da guerra nesta região? A negação, negar aos povos o direito à sua religião, à sua existência e é o direito à nossa existência que ele agora vem pôr em causa”, lamentou Erekat.



