Netanyahu e Abbas cumprem objectivos mínimos ao aceitar novas reuniões

02.09.2010 - 22:31 Por Maria João Guimarães
As negociações bilaterais directas começaram com pompa e circunstância, apertos de mão e oportunidades de fotografia, com reiterações de princípios e tom conciliatório. O objectivo básico foi atingido: os dois líderes concordaram com um calendário para novos encontros.
Esta quinta-feira, em Washington, o primeiro-ministro israelita e o presidente da Autoridade Palestiniana conseguiram concordar no mínimo e o enviado especial George Mitchell saiu da mesa de negociações para anunciar que os dois aceitaram uma segunda ronda de conversações a 14 e 15 de Setembro, a que se seguiriam reuniões regulares a cada duas semanas. Isto quer dizer que entre a primeira e segunda reunião está a data-chave de 26 de Setembro, quando expira a moratória de novas construções nos colonatos – os palestinianos dizem que o seu prolongamento é essencial para a continuação das negociações de paz.
As conversações de hoje, que deveriam demorar pelo menos três horas, ainda decorriam à hora do fecho desta edição. A ronda foi aberta com um “vamos ao trabalho” da secretária de Estado Hillary Clinton. Os EUA avisaram que vão intervir, mas que não podem substituir a vontade dos participantes chegarem a acordo.
No entanto, o grau de pressão e encorajamento americano – e a disposição dos EUA de apresentar projectos de acordo em caso de impasse – é visto como decisivo para o sucesso ou falhanço das conversações. Washington quer um acordo num ano, um prazo que vai coincidir com o início da próxima pré-campanha eleitoral nos EUA, nota a Reuters.
Em declarações antes da reunião, Mahmoud Abbas fez dois apelos, em relação a colonatos e Gaza: “Pedimos ao Governo israelita para avançar com o seu compromisso para acabar todas as actividades de colonização e levantar completamente o bloqueio à Faixa de Gaza”. Mas também tentou dar uma nota optimista: “Sabemos quão difíceis são os obstáculos que enfrentamos”, disse. Mas “o caminho está claro à nossa frente”.
Já Netanyahu prometeu tentar fazer “um caminho longo em pouco tempo” e surpreendeu por se dirigir repetidamente a Abbas como o seu “parceiro” (Israel alegou frequentemente que não tinha “parceiro” com quem negociar) e sublinhar várias vezes o seu empenho em conversações de paz, uma ideia a que se opôs durante muito tempo, notou o diário britânico The Guardian.
“Não queremos um breve interlúdio entre duas guerras. Não queremos uma trégua temporária entre períodos de terror. Queremos uma paz que acabe o conflito de uma vez por todas.” Para isto acontecer serão necessárias concessões difíceis “do meu lado e do seu lado”, afirmou Netanyahu, dirigindo-se a Abbas.
O líder israelita marcou duas exigências: o reconhecimento palestiniano de Israel como um Estado-nação judaico e um acordo que tenha em consideração as legítimas preocupações de segurança do seu país.
No entanto, Netanyahu não foi mais longe e deixou de lado considerações sobre outras questões como o estatuto de Jerusalém. Chris McGreal, jornalista do Guardian que segue o conflito israelo-palestiniano, comenta que “isto sugere que ele está preparado para fazer sacrifícios em colonatos, Jerusalém Oriental, as fronteiras, etc – mas se o sacrifício em que ele está a pensar vai ao encontro às expectativas palestinianas é outra questão.”

