O primeiro-ministro eleito israelita, Benjamin Netanyahu, pediu ao Presidente mais tempo para formar governo. E conseguiu mais duas semanas para tentar convencer o Partido Trabalhista a juntar-se ao seu executivo.
O líder do Labor, Ehud Barak, apelou na quarta-feira aos membros do seu partido que reconsiderassem uma proposta de “Bibi” para fazer parte da coligação de direita, na qual Barak contava manter a pasta da Defesa, que coordena actualmente. E ontem voltou à carga, afirmando em vários órgãos de comunicação que “o interesse superior do Estado” deve levar os trabalhistas a integrar o governo, para “fazer contrapeso à extrema-direita”.
O Labor sofreu uma derrota sem precedentes nas eleições de 10 de Fevereiro, elegendo apenas 13 dos 120 deputados da Assembleia, tornando-se na quarta força parlamentar. A princípio, Barak afirmara que teria de tirar lições deste resultado, juntando-se à oposição. Mas depois acabou por se envolver em negociações com Netanyahu, dirigente de direita encarregue de formar a próxima equipa.
O jornal israelita “Ha’aretz” adianta que agora o próprio “Bibi” está a manter encontros com alguns trabalhistas para tentar ultrapassar a sua oposição à aliança com o Likud.
O mesmo diário refere que os “rebeldes” se reuniram em Telavive na quinta-feira para coordenar uma reacção ao gesto de Barak, e que decidiram por agora “não o atacar pessoalmente e não pedir a sua demissão da liderança partidária”. Os trabalhistas que se opõem à decisão consideram que não há condições para fazer avançar o processo de paz israelo-árabe.
Apesar de Netanyahu ter já uma maioria absoluta no Parlamento, graças ao apoio dos grupos de extrema-direita, afirma preferir um governo alargado que conte pelo menos com os trabalhistas, já que o Kadima (centro) da ministra dos Negócios Estrangeiros, Tzipi Livni, descartou o seu apoio.
“Bibi” tinha até domingo para apresentar um executivo ao Parlamento; o Presidente acedeu em prolongar o prazo até 3 de Abril.



