Netanyahu cancela visita aos EUA depois de ataque israelita contra activistas pró-palestinianos

31.05.2010 - 15:16 Por PÚBLICO
O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, cancelou uma visita a Washington, onde devia chegar amanhã. Netanyahu manifestou o “seu inteiro apoio” ao Exército, que atacou uma frota de activistas pró-palestinianos a caminho de Gaza. As condenações a este ataque, que fez 10 mortos, chegam do mundo inteiro.
O chefe do Governo iniciou o regresso a Israel para acompanhar o assunto. Antes de partir, e no final de um encontro com o seu homólogo canadiano, Netanyahu afirmou: “Acabei de ter uma conversa com o Presidente Obama a dizer que terei de voltar para Israel. Ambos concordámos que teremos agora consultas muito próximas", cita a Reuters. "Tanto o primeiro-ministro Harper como o Presidente Obama entendem que Israel tem um grande problema de segurança e quero pôr isso dentro de contexto. O contexto é que Gaza se tornou numa base para os terroristas do Hamas apoiados pelo Irão. Dispararam milhares de 'rockets' contra Israel. Estão a juntar outros milhares para disparar contra as nossas cidades, as nossas vilas, as nossas crianças”.
Quanto ao bloqueio a Gaza, contestado pelos activistas que o procuravam furar, Netanyahu justificou: “A nossa política é esta: tentamos deixar entrar todos os produtos humanitários em Gaza, todos os produtos pacíficos, alimentos, medicamentos e afins. O que queremos impedir que entre em Gaza são 'rockets', mísseis, explosivos e material de guerra que possa ser usado para atacar os nossos civis”.
O primeiro-ministro acusou ainda a maior embarcação da frota de “atacar deliberadamente os primeiros soldados que entraram no navio... e os nossos soldados tiveram que se defender, defender as suas vidas para não serem mortos. E lamentavelmente, em troca, pelo menos dez pessoas morreram. Lamentamos esta perda de vidas”.
As embarcações tinham partido ontem do Chipre, desrespeitando o aviso israelita de que todos os barcos que tentassem entrar nas suas águas seriam interceptados. Foi isso que aconteceu durante a noite: os israelitas dizem que os seus comandos foram recebidos a bordo com resistência e que foram forçados a disparar. Nos navios seguiam 10 mil toneladas de ajuda humanitária.
União Europeia, Nações Unidas e dezenas de países e de associações de defesa de direitos humanos estão a pedir um inquérito imediato ao incidente. O Conselho de Segurança da ONU vai reunir-se de urgência mais ao final do dia. Já durante a tarde estarão reunidos os embaixadores dos Vinte e Sete países da UE.
A Alta Representante Para a Política Externa da UE Cahterine Ashton “expressou o seu profundo repúdio face às notícias de perda de vidas e feridos" e reclamou ainda “a abertura imediata, contínua e incondicional do bloqueio à circulação de ajuda humanitária, bens comerciais e pessoas de Gaza e para Gaza."
O presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, classificou o ataque como um “massacre”. Os Estados Unidos lamentaram as vítimas e disseram estar “a trabalhar para compreender as circunstâncias que rodearam a tragédia”.
"Quinze pessoas foram mortas durante o ataque, na sua maioria cidadãos turcos", afirmou Mohammed Kaya, responsável pela divisão de Gaza da IHH, uma organização turca de defesa dos direitos humanos, que fazia parte da operação naval. Entretanto, o Canal 2 da televisão israelita confirmou que os mortos são já 19 e os feridos 26.
A correspondente do diário “Guardian” em Jerusalém esteve num hospital em Ashkelon, onde disse que estavam a chegar alguns dos feridos. “O xeque Rayed Salah, figura de peso entre os árabes israelitas, está a ser submetido a uma cirurgia de urgência. É um homem importante”, escreveu Harriet Sherwood através do site Twitter. A comunidade árabe israelita anunciou entretanto uma greve geral.
Algumas embarcações atacadas estavam assinaladas com a bandeira turca, país que já fez saber que condena veementemente esta operação militar, classificando-a de inaceitável. O primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, de visita ao Chile, cancelou a sua viagem à América Latina e regressou à Turquia. Deve falar durante a tarde. O ministro da Defesa, que também se encontrava fora do país, fez o mesmo.
Manifestações na Turquia

