• Restaurantes de topo com menus a 20 euros
  • Dead Combo e skates na passerelle
  • Já cheira a Verão

Cantora fez parte do grupo de artistas que actuou para o líder líbio

Nelly Furtado vai doar um milhão de dólares que recebeu de Khadafi

01.03.2011 - 13:16 Por Luísa Teixeira da Mota

  • Votar 
  •  | 
  •  6 votos 
Nelly Furtado recebeu de Khadafi um milhão de dólares por 45 minutos de concerto Nelly Furtado recebeu de Khadafi um milhão de dólares por 45 minutos de concerto (Foto: Mario Anzuoni/Reuters)
“Em 2007 recebi um milhão de dólares do clã Khadafi por uma actuação de 45 minutos. Um espectáculo para convidados num hotel em Itália. Vou doar o dinheiro”. A revelação é de Nelly Furtado e foi feita, nesta segunda-feira, através da sua conta oficial no site de microblogging Twitter.

A estrela luso-canadiana não especificou quem seria o beneficiário da doação, mas, até agora, foi a única celebridade a pronunciar-se sobre o cachet que recebera em troca de actuações para o ditador líbio.

Uma semana depois de o "New York Times" ter noticiado que a cantora Mariah Carey recebera um milhão de dólares (cerca de 720 mil euros) da família Khadafi por uma actuação na passagem de ano de 2009 para 2010, Nelly Furtado decidiu antecipar-se a um eventual escândalo e anunciou que iria doar a soma, também de um milhão de dólares, que lhe fora paga pelo líder líbio.

De acordo com o "New York Times", com a revista "Rolling Stone" e ainda com a WikiLeaks, no rol de artistas que actuaram, em privado, para o regime autoritário líbio, estão ainda Beyoncé, Usher, 50 cent e Lionel Richie.

A maior parte dos concertos, segundo a WikiLeaks, tiveram lugar na ilha francesa de São Bartolomeu, nas Antilhas, pela altura da passagem de ano.

A indústria da música tem apontado o dedo aos vários artistas que participaram nas festas do regime ditatorial da Líbia em troca de grossos envelopes de dinheiro e a maior parte dos agentes de música sugerem a devolução dos cachets. “Se fosse comigo, iria para a caridade”, diz Buck Williams, agente das bandas R.E.M e Widespread Panic. Doar o dinheiro a uma obra de caridade que, de alguma maneira, apoie “aqueles que sofreram nas mãos do regime”, seria o ideal, de acordo com David T. Viecelly, agente dos Arcade Fire.

Mas, apesar das críticas, os artistas cujas vozes encheram as festas da família Khadafi, preferem agora manter-se calados: todos os managers dos cantores se recusaram a fazer comentários.

A polémica em torno de artistas que aceitam actuar perante regime ditatoriais não é nova e já nos anos 70 e 80, cantores como Rod Stewart e os Queen foram condenados pela imprensa e pela indústria musical por terem tocado num resort na África do Sul, apesar do regime de apartheid no país.

“Os artistas não fazem ideia de para quem vão tocar” ou “os artistas não vão actuar em festas como essas com esse género de preocupações de saber como o país é governado ou o que se passa dentro do país.”, foram algumas das explicações dadas à "Rolling Stone" por envolvidos na indústria da música, sobre o facto de tantas superestrelas estarem dispostas a actuar para regimes opressivos.

“Nem todo o artista é um humanitário”, conclui Dennis Arfa, agente dos Metallica, de Billy Joel e de Rod Stewart.

Estatísticas

  • 18 leitores
  • 30 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1482715

Comentário + votado

Alinhado

Alinho-me no comentario do "Tretas" e peço a suas excelências que façam ...

Hernani77

01.03.2011 18:25

X

Mais em Mundo (7 de 12 artigos)

No Egipto, muitos estão na fronteira para ajudar quem foge da Líbia Reportagem: Milhares de estrangeiros tentam deixar a Líbia de barco