O Irão rejeita as contrapartidas que lhe foram oferecidas para renunciar ao enriquecimento de urânio, a parte mais polémica do seu programa nuclear, mas aceitou continuar as conversações com a "troika" europeia, constituída pela Alemanha, França e Reino Unido.
Em declarações aos jornalistas no final de uma jornada de reuniões, em Paris, o chefe da delegação iraniana, Sirus Naseri, afirmou aos jornalistas que o Irão considera inaceitável a exigência europeia, mas garantiu que as "negociações vão continuar nas próximas semanas".
Contudo, o responsável garente que Teerão não está interessado em arrastar o diálogo com o Ocidente. "Para nós o tempo é essencial e queremos ver progressos", afirmou Naseri.
A "troika" europeia ofereceu um conjunto de incentivos económicos ao Irão para que o país renuncie a enriquecer urânio, uma actividade susceptível de produzir material para o fabrico de armas atómicas.
Recentemente Washington aceitou contribuir para o pacote de ajudas oferecidas a Teerão, mas em contrapartida exigiu que os parceiros europeus aceitem enviar o "dossier" nuclear iraniano ao Conselho de Segurança da ONU caso falhem as negociações internacionais.
Pressionado pela comunidade internacional, o regime iraniano aceita autorizar inspecções mais regulares da Agência Internacional de Energia Atómica (AIEA) às suas instações nucleares, bem como redução das quantidades de urânio a enriquecer. Contudo, a "troika" europeia recusa esta proposta, continuando a insistir numa renúncia do Irão à parte mais polémica do seu programa nuclear.
Apesar da falta de acordo, os diplomatas europeus garantem que as negociações estão a decorrer "num clima positivo", sublinhando que as duas partes entendem que as negociações têm "propósitos pacíficos".



