Negociações entre as duas Coreias terminam sem progressos significativos

02.10.2008 - 09:59 Por AFP, PÚBLICO
Responsáveis militares da Coreia do Norte e da Coreia do Sul estiveram reunidos hoje durante cerca de duas horas na cidade de Panmumjom, na zona desmilitarizada, naquele que foi o primeiro diálogo oficial entre ambas no espaço de oito meses. Mas o encontro terminou sem progressos significativos.
“O encontro terminou mas houve poucos progressos”, comentou um responsável, em anonimato, citado hoje pela agência de notícias sul-coreana Yonhap. A delegação sul-coreana “não está preparada para resolver problemas”, alegou, mais tarde, Pak Rim-su, chefe da delegação norte-coreana.
Este responsável adiantou que na origem do encontro esteve o facto de Seul ter espalhado “panfletos propagandistas”.
As relações entre os dois vizinhos, que continuam oficialmente em estado de guerra desde o conflito de 1950-1953, agravaram-se depois da chegada ao poder, em Fevereiro, do Presidente sul-coreano Lee Myung-bak, um conservador que defende uma linha de intransigência em relação a Pyongyang. Lee quer, nomeadamente, condicionar a ajuda económica do seu país aos progressos tangíveis sobre a desnuclearização da Coreia do Norte.
Esta nova linha foi recebida como uma “declaração de guerra” pela Coreia do Norte que denuncia o servilismo de Lee ao seu aliado norte-americano.
As tensões subiram de tom com a morte de uma turista sul-coreana, 53 anos, abatida em Julho por um soldado norte-coreano quando caminhava numa praia, vinda de uma zona militar perto do Monte Kumgang. A Coreia do Norte alega que a turista tinha entrado numa zona de acesso restrito. Este local turístico, um dos raros abertos aos visitantes do Sul, é um dos símbolos da reconciliação das duas nações desde a guerra da Coreia.

