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Julgamentos no Quénia começaram

Navio de cruzeiro italiano repeliu ataque de piratas com armas de fogo

26.04.2009 - 12:58 Por Agências

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O "Melody" foi abordado por piratas com escadas de corda O "Melody" foi abordado por piratas com escadas de corda (REUTERS)
Um navio de cruzeiro italiano usou armas de fogo e mangueiras de alta pressão para se defender de um ataque de piratas ao largo da costa africana. Pela descrição do comandante italiano, o ataque assemelhou-se muito ao que se veria num filme de piratas – mas a acção tomada pelo paquete não é recomendável, dizem as autoridades marítimas.

O “MSC Melody”, com capacidade para 1500 passageiros, foi atacado quando estava a cerca de 320 quilómetros a norte das Seychelles e a 960 quilómetros da costa da Somália, relatou à televisão italiana o comandante do navio, Ciro Pinto. “Desataram a disparar conta nós como loucos”, contou à Sky.

Os seguranças do navio receberam pistolas e abriram fogo em conjunto contra o barco dos piratas, quando estes tentaram abordar o navio de cruzeiro. “Tentaram lançar uma escada de corda com ganchos. Estavam a subir mesmo, por isso reagimos. Começámos a disparar. Quando viram que estávamos a responder – e entretanto virámos contra eles mangueiras de água a alta pressão – desistiram”, contou o comandante, citado pela Reuters.

Embora o comandante e os seguranças tenham conseguido evitar a captura do “Melody”, sem feridos (só há duas pessoas com arranhões, e outra caiu porque escorregou, garante o capitão), este tipo de acção não é recomendada pelas autoridades marítimas.

“Ter armas a bordo num navio de passageiros ou de mercadorias é perigoso. Deviam ter usado outros meios para se livrarem dos piratas, como um aparelho que emitisse sons muito altos”, disse Andrew Mwangura, do Programa de Assistência aos Viajantes Marítimas da Costa Oriental de África, com base no Quénia.

“Só os navios militares é que devem ter armas a bordo”, concluiu Mwangura, citado pela Reuters.

Julgamentos no Quénia

Os incidentes com piratas quase duplicaram no primeiro trimestre de 2009, essencialmente devido a ataques de piratas somalis. Estes ataques rendem milhões de dólares, porque são reivindicados resgates pelos navios e pela tripulação das embarcações capturadas.

Hoje outro grupo de piratas libertou um petroleiro do Iémen, o “Sea Princess II”, que tinha sido apanhado a 2 de Janeiro, depois do pagamento de um resgate. No sábado, foi a vez de um navio turco ser libertado, em troca de um resgate no valor de 1,9 milhões de dólares, poucas horas depois de um outro cargueiro, desta vez alemão, ter sido capturado no Golfo de Áden.

Entretanto, no Quénia, está a decorrer o julgamento de 11 piratas capturados pela Marinha francesa. O Quénia tem um acordo com a União Europeia, assinado em Março, para julgar piratas apanhados por navios dos países da UE. Na região semi-autónoma de Somaliland (no noroeste deste país sem uma autoridade central que controle todo o território), nove outros piratas foram condenados a penas entre 15 a 20 anos de prisão, adianta a agência AFP.

Os 11 piratas em julgamento no Quénia, acusados de terem tentado atacar o navio mercante “Safmarine Asia” (com pavilhão da Libéria), não reconhecem que estivessem a fazer algo de ilegal. Dizem que estavam apenas a pescar, quando foram interceptados pela fragata francesa “Nivôse”, ao largo de Mombaça (Quénia). “Reconheceram que tinham armas, mas dizem isso é normal. É apenas para garantirem a sua segurança”, disse à AFP o seu advogado, Francis Kadima. Tinham com eles quatro metralhadoras Ak-47 e 200 munições.

O advogado dos 11 suspeitos de pirataria adiantou ainda que vai levantar a questão da competência da justiça queniana para intervir neste caso e no de outros sete piratas capturados e entregues ao país para julgamento. “São todos de nacionalidade somali. Ouvimos falar de acordos entre a UE, o Reino Unido, os Estados Unidos e o Quénia, mas é evidente que a legalidade destes acordos é contestável”, até porque não foram ratificados pelos respectivos parlamentos, disse o advogado à AFP.

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Comentário + votado

sons muito altos

O senhor Mwangura está, suponho, muito preocupado com a saúde dos piratas. Não vá algum desses ...

Luis Teixeira

27.04.2009 07:35

X

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