A NATO revelou hoje que vai participar em exercícios militares no próximo mês, na Geórgia, uma decisão que coincide com o anúncio do retomar das reuniões do painel conjunto da Aliança Atlântica com a Rússia, a 29 de Abril.
É o primeiro exercício militar na Geórgia em que a NATO participa desde a guerra de Agosto de 2008 entre russos e georgianos, que culminou na declaração unilateral de independência das províncias separatistas da Abkházia e da Ossétia do Sul, apoiadas por Moscovo. A Reuters sublinha que o exercício enfatizará a solidariedade entre a NATO e a Geórgia, país ao qual foi prometido que no futuro integrará a Aliança.
A possibilidade de Tbilissi vir a ser membro da Aliança Atlântica não é aceite por Moscovo, que considera a antiga república soviética parte da sua esfera de influência.
O conflito militar de Agosto do ano passado congelou as relações entre a Rússia e a Aliança sua adversária nos anos da Guerra Fria. Só após a eleição de Barack Obama para a Casa Branca começaram a surgir sinais de desanuviamento entre Moscovo e o Ocidente. Washington fez uma proposta de desarmamento nuclear que Moscovo acolheu favoravelmente, mas a instalação de um escudo antimíssil na Polónia e na República Checa continua a dividir as duas capitais.
Os exercícios anunciados hoje envolverão 1300 soldados de 19 países e decorrerão entre 6 de Maio e 1 de Junho. A NATO diz que começaram a ser planeados antes da guerra do ano passado e que decorrerão a leste da capital, Tbilissi. “O cenário [do exercício] será o de uma resposta a uma crise liderada pela NATO, numa operação fictícia mandatada pelas Nações Unidas”, disse uma fonte da NATO à Reuters. A Rússia considera a sua intervenção no conflito do ano passado como uma missão de manutenção de paz.
Sinais de desanuviamento
Moscovo não reagiu hoje à realização do exercício e os sinais que chegaram hoje da capital russa vão no sentido de um desanuviamento progressivo das tensões com os Estados Unidos e com a Aliança Atlântica. Um porta-voz da missão russa junto da NATO confirmou hoje que o painel conjunto da Rússia e da Aliança voltará a reunir-se a 29 de Abril, no que é visto como um sinal de normalização das relações entre os dois lados.
Moscovo também disse hoje que ainda não entregou mísseis terra-ar S-300 ao Irão, que os poderá usar na defesa das suas instalações nucleares, protegendo-as de um eventual ataque aéreo israelita. A decisão russa de entregar esse mísseis conduziria a um aumento de tensão na região, uma vez que Israel não exclui atacar o Irão. Mas Moscovo tem mantido que a eventual entrega dessas armas depende “da evolução da situação internacional”.
Os mísseis S-300 são também a parte do jogo negocial da Rússia com os Estados Unidos, cujo ponto-chave é o escudo antimíssil. Moscovo considera-o uma ameaça, enquanto Washington diz que ele se destina a defender a Europa e os EUA de países como o Irão ou a Coreia do Norte.
A administração Obama considera o escudo negociável (o que não acontecia com a administração Bush), mas quer em troca um maior envolvimento da Rússia na questão iraniana, enquanto Moscovo não aceita ligar as duas questões.


