Os países-membros da NATO vão tentar hoje aprovar uma acção concertada para impulsionar a reconstrução do Afeganistão em 2007, um ano considerado crítico na luta contra os taliban.
A reunião, que vai decorrer em Bruxelas e em que participa o ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, realiza-se por iniciativa da secretária de Estado norte-americana, Condoleezza Rice e destina-se a discutir as operações da NATO no Afeganistão e no Kosovo.
Para além dos 26 ministros dos Negócios Estrangeiros da NATO, a reunião vai contar também com a participação do ministro do Afeganistão, Rangin Dadfar Spanta; dos ministros do Japão e da Coreia, (países doadores); de representantes dos outros 11 países que contribuem com tropas para a Força Internacional de Assistência à Segurança (ISAF); e de representantes da ONU, do Banco Mundial, da Comissão Europeia, do Conselho da UE.
Os ministros vão tentar traduzir "em factos concretos" a decisão adoptada pelos 26 na Cimeira de Riga, de Novembro do ano passado, de intensificar a coordenação entre a acção civil e militar no Afeganistão, revelou um membro da administração norte-americana.
Rice anunciará os planos dos Estados Unidos para aumentar o apoio ao Governo afegão de Hamid Karzai em matéria de desenvolvimento, luta contra a droga e formação do Exército nacional e da polícia, de acordo com a fonte norte-americana.
Washington pretende contribuir com mais fundos (até 8000 milhões de dólares) e com o envio de mais tropas para o país.
No ano passado morreram quatro mil pessoas no Afeganistão vítimas dos combates — a maior cifra desde que os Estados Unidos derrubaram o regime taliban, em 2001.
Vinte e quatro mil militares norte-americanos estão actualmente no Afeganistão, parte dos quais no quadro da força da NATO (ISAF, com 33 mil efectivos) que assumiu em 2006 o controlo da segurança em todo o território afegão.
A reunião de Bruxelas ocorre numa altura em que se multiplicam os atentados no Afeganistão e em que a ISAF se prepara para uma nova ofensiva contra os taliban na próxima Primavera.
De acordo com o porta-voz da Aliança Atlântica, James Appathurai, a reunião não será uma conferência de doadores nem servirá para recrutar novas forças para o Afeganistão, mas antes para discutir uma "acção global".
O outro grande tema de hoje é a situação na província sérvia do Kosovo, de maioria albanesa, onde a NATO mantém o controlo da segurança desde 1999 com 16 mil efectivos. Os 26 vão comprometer-se a manter a segurança nessa província durante todo o processo de negociação e de aplicação do estatuto.



