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Comunidade lusa ultrapassa os 18 mil membros, uns 15 mil a residir na capital de Moçambique

Não há notícia de vítimas entre portugueses

02.09.2010 - 09:45 Por Ana Cristina Pereira

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A cônsul-geral de Portugal em Maputo, Graça Gonçalves Pereira, andou "todo o dia a circular, de carro, pela cidade". Nessas voltas pela capital de Moçambique não encontrou qualquer indício de alguma das vítimas da onda de protestos pertencer à comunidade portuguesa.

A diplomata encheu-se de preocupação ao receber notícias dos confrontos associados a barricadas contra o aumento de bens essenciais, como a água e a electricidade. Por isso mesmo, fez-se à estrada. Percebeu que os acontecimentos relevantes ocorreram na periferia. "Na Baixa, houve apenas um pequeno incidente", disse. Ora, "a maioria dos portugueses vive na cidade."

Pelas estimativas da Direcção-Geral de Assuntos Consulares e Comunidades Portuguesas, haverá à volta de 18 mil portugueses a residir em Moçambique - em grandes construtoras, seguradoras, bancos, editoras, pequenas empresas... Uns 15 mil moram na capital, mas longe das chamadas zonas quentes.

Graça Gonçalves Pereira pediu ontem aos membros da comunidade que se mantenham atentos ao desenrolar dos acontecimentos e que "sejam prudentes". Ser prudente, esclareceu, por telefone, ao PÚBLICO, quer dizer "não se meter em desacatos, nem em confusões".

Dirigiu-se à comunidade através de uma mensagem de correio electrónico com o número de emergência consular no final. "O consulado esteve aberto esta quarta-feira e estará na quinta e na sexta."

"É natural que no contexto de crise, como aquela que vivemos nos últimos anos, o efeito social de algumas das medidas mais difíceis se faça sentir em termos de reacções da população", declarou o ministro português dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, citado pela agência Lusa, momentos antes de partir para Trípoli, com o primeiro-ministro, José Sócrates. "Estamos perante uma situação interna de Moçambique."

Inquirido sobre eventuais contactos entre os governos de Portugal e de Moçambique, Luís Amado retorquiu: "As autoridades moçambicanas têm as necessárias medidas para repor a ordem pública no país e, em particular, na capital, em Maputo. Do nosso ponto de vista, não se justifica que, neste momento, tenhamos outra preocupação que não seja a de acompanhar a situação da comunidade portuguesa e garantir que tudo corra bem com eles."

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