Várias milícias líbias estão fora de controlo no país, para lá da supervisão e da autoridade do ainda muito fraco governo de transição, mantendo milhares de pessoas presas e travando combates entre si, segundo informações remetidas ao Conselho de Segurança pelo enviado das Nações Unidas à Líbia.
Ian Martin apresentou um relatório em que relata a ocorrência de batalhas entre forças da rebelião e residentes armados em Bani Walid, um dos últimos bastiões do regime do deposto e morto Muammar Khadafi. Segundo Martin, combatentes que se mantiveram fiéis ao coronel estão a tentar tomar o controlo da cidade que foi das últimas a cair, tendo ainda na segunda-feira morrido quatro pessoas.
Confrontos fatais em Trípoli e Bengasi, ocorridos este mês, ficam a dever-se também ao confronto entre milícias. “O regime anterior pode ter caído, mas a dura realidade é que o povo líbio continua a ter de viver com o seu profundamente enraizado legado de muito fracas, até mesmo ausentes, instituições de Estado, a par da longa inexistência de partidos políticos e organizações da sociedade civil, que tornam a transição no país muito mais difícil”, sublinhou o enviado da ONU.
Segundo este relatório, diferentes milícias mantêm em conjunto mais de oito mil apoiantes de Khadafi detidos em dezenas de prisões secretas por todo o país e há denúncias de que estão a ser submetidos a tortura.
A alta comissária das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Navi Pillay, lançou também o alerta sobre estas pessoas detidas pelas forças revolucionárias.
“A ausência de autoridade cria um ambiente conducente às práticas de tortura e tratamentos desumanos. Temos recebido relatos alarmantes de que isto está a acontecer em centros de detenção que visitámos”, sublinhou aquela responsável, pedindo às autoridades do Conselho Nacional de Transição que assumam o controlo destas “prisões informais”, reavaliem os casos e que tratem os detidos com total respeito pelas leis.



