Mugabe só aceita negociar se a oposição reconhecer a sua vitória nas presidenciais

04.07.2008 - 15:26 Por Agências
Robert Mugabe anunciou hoje que só aceitará negociar com a oposição se esta o reconhecer como Presidente do país e abdicar das suas pretensões ao cargo.
Morgan “Tsvangirai e o seu grupo devem abdicar das suas pretensões ao poder. Estamos aberto ao diálogo, mas a realidade é a realidade e deve ser aceite. Eu sou o Presidente da República do Zimbabwe”, afirmou Mugabe, no regresso da cimeira da União Africana.
No encontro, os líderes africanos instaram Mugabe e o líder da oposição a iniciarem negociações com vista à formação de um governo de unidade nacional, abrindo caminho a uma partilha de poder.
O veterano chefe de Estado diz estar disponível para negociar, mas “os que quiserem dialogar devem aceitar” a sua vitória na segunda volta das presidenciais, realizadas na semana passada sem a participação da oposição.
“Se eles estiveram de acordo com isso, poderemos começar a dialogar e as escutar as ideias deles”, afirmou Mugane, que falavam perante alguns milhares de apoiantes que o foram esperar ao aeroporto de Harare.
O líder da oposição rejeitou a hipótese de participar num Governo chefiado por Mugabe e garantiu que só negociará com o poder na base no resultado da primeira volta das presidenciais, ganhas pela oposição.
Mas Mugabe reafirmou hoje que “não aceitará nada além do resultado das eleições de 27 de Junho”. “Não deixaremos que os Tsvangirais tenham ilusões e pensem que podem voltar atrás”, sublinhou.
Mugabe conseguiu evitar a condenação dos líderes africanos à forma como decorreram as eleições – que os observadores da própria UA consideraram ilegítimas –, ainda que na cimeira tenham sido vários os dirigentes a criticar abertamente a violência e as acções de intimidação da oposição que marcaram o processo eleitoral.
Um dos países mais críticos foi o Botswana, país vizinho, que pediu na cimeira a exclusão do Zimbabwe dos encontros da UA e da Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral (SADC), por considerar que essa presença daria aos dirigentes do país uma legitimidade que eles não têm.
“Se há quem queira lutar connosco, devem pensar duas vezes. Não queremos lutar com nenhum dos nossos vizinhos. Somos um país pacífico, mas se alguns dos países vizinhos está ansioso por um combate então que tentem a sua sorte”, avisou Mugabe.

