Mousavi rejeita recontagem dos votos e regime organiza manifestação no centro de Teerão 
16.06.2009 - 15:59 Por Agências
Milhares de apoiantes do Presidente Mahmoud Ahmadinejad começaram a concentrar-se nas ruas do centro da cidade, ao mesmo tempo que Mir-Hossein Mousavi, o principal rival nas eleições, e outros membros da oposição, rejeitaram a recontagem dos votos, proposta pelo Conselho dos Guardiões – o principal órgão legislativo do Irão.
Os resultados oficiais deram a vitória do actual Presidente, Mahmoud Ahmadinejad, com 63 por cento dos votos. Mas o Supremo Líder, ayatollah Ali Khamenei, pediu ao Conselho que investigasse alegadas fraudes.
A recontagem seria feita nas áreas onde os candidatos da oposição afirmam ter havido irregularidades, e “feita na presença de representantes seus”, afirmou à IRNA um porta-voz, Abbasali Kadkhodai.
Mas Mousavi e outros candidatos recusam esta hipótese, reclamando novas eleições, porque acreditam que muitos votos depositados em urna desapareceram.
Imagens da manifestação em apoio de Ahmadinejad estão a ser transmitidas pela televisão oficial – embora, curiosamente, sempre em planos de longe, sem que sejam mostradas caras, nota a AFP. Mas a voz off, supostamente de um comentador na praça Vali Asr, onde se realiza a manifestação, vai dizendo que, “como se vê, está aqui gente de todo o tipo”.
É possível perceber que a multidão será composta por alguns milhares de pessoas, mas é difícil determinar qual o ambiente que ali se vive, sem que tenha sido transmitido nenhum plano aproximado, diz ainda a agência noticiosa francesa.
Mousavi cancelou a manifestação que tinha convocado para esta tarde, para o mesmo local da dos apoiantes de Ahmadinejad, “para proteger a vida” dos seus apoiantes. Em mensagens no Twitter e outros sites de Web social – a principal rede de comunicação para a oposição – os apoiantes de Mousavi apelaram que todos usassem negro, em memória dos sete manifestantes que foram mortos na segunda-feira.
A Marcha da Unificação foi convocada pelo Conselho de Coordenação da Propaganda Islâmica e, ao longo de toda a emissão especial televisiva, vários comentadores foram debatendo temas como a necessidade de “pôr termo à conspiração e à insegurança” e derrotar” os planos dos inimigos”, cita a AFP.
Entretanto, o Irão cancelou as credenciais de todos os jornalistas estrangeiros no Irão e ordenou aos jornalistas iranianos que façam notícias sem sair das suas redacções, adianta o site do jornal “The New York Times”.
A televisão oficial está também a dizer que “os principais agentes” da agitação pós-eleitoral foram presos, e tinham na sua posse explosivos e armas, diz a agência Reuters. A agência noticiosa semi-oficial Farsi citava um alto responsável policial dizendo que alguns “anti-revolucionários” tinham sido presos com materiais para bombas e armas.
O ministro das Informações, Gholamhossein Mohseni-Ejei, disse que o seu ministério estava de olho em duas categorias de pessoas que estão a tentar criar instabilidade na República Islâmica. “Uma queria criar terror com explosões, com apoio vindo do estrangeiro. Foram presas 50 pessoas deste grupo”, adiantou. “A segunda categoria é composta por grupos contra-revolucionários que se infiltraram nas sedes eleitorais dos candidatos, e aqui foram presas 26 pessoas”, disse à rádio estatal, citado pela Reuters.
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