O candidato moderado Mir-Hossein Mousavi, derrotado nas presidenciais de sexta-feira no Irão, adiou a manifestação pacífica prevista para esta tarde depois de o Ministério iraniano do Interior ter declarado ilegal a iniciativa.
Mousavi decidiu adiar a marcha “até obter uma autorização” da parte das autoridades, lê-se no seu site de campanha na Internet. No mesmo comunicado, citado nas agências, o candidato moderado “protesta vigorosamente contra a decisão discriminatória e ilegal” e lança um novo apelo à calma.
A União Europeia entretanto exortou o Governo iraniano a não usar a força para dispersar os protestos. A comissária para as Relações Externas Benita Ferrero-Waldner pediu ainda às autoridades para analisarem as queixas de irregularidades. O Conselho dos Guardiões anunciou entretanto ter recebido duas queixas formais e disse que daria um parecer no prazo de 10 dias.
Desde sábado que o anúncio de uma expressiva vitória do actual Presidente Mahmoud Ahmadinejad nas eleições levou a fortes e por vezes inéditos protestos na capital, e em outras cidades iranianas. Mousavi pediu ao principal organismo legislativo da República Islâmica que anulasse os resultados devido a alegadas irregularidades, uma acusação que tanto o Ministério do Interior como Ahmadinejad negam – o Presidente acusou a oposição de se comportar "como os adeptos de uma equipa de futebol" derrotada.
Respondendo à marcha que a oposição planeava para hoje, o Ministério afirmou que “alguns elementos revoltosos planearam uma manifestação... Qualquer distúrbio à ordem pública será lidada de acordo com a lei”.
Ontem, no centro da capital, forças antimotim e muitos agentes à paisana dispersaram 200 manifestantes com bastonadas e gás lacrimogéneo, disparando ainda tiros de aviso para o ar e dezenas de pessoas foram detidas.




