O cargueiro Arctic Sea, desviado em finais de Julho, não transportava mísseis para o Irão, garante Moscovo. “A presença de [mísseis de terra-ar] S300 a bordo do Arctic Sea é absolutamente falsa”, afirmou o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, citado pela AFP.
O cargueiro, com tripulação russa, esteve desaparecido no oceano Atlântico durante mais de um mês, com as autoridades russas a afirmar que tinha sido sequestrado por um grupo de piratas, que pretendiam um resgate pelo seu carregamento de madeira estimado em 1,5 milhões de euros.
O diário britânico Times noticiou no domingo, citando uma fonte militar russa, que a bordo do Arctic Sea seguiam mísseis de alta tecnologia S300, destinados ao Irão. A informação era confirmada também por responsáveis israelitas que quiseram manter o anonimato. Media britânicos apontavam ainda para o envolvimento da Mossad, os serviços secretos israelitas, no ataque à embarcação.
O analista russo Mikhail Voitenko, editor do jornal online Boletim Marítimo, foi o primeiro a avançar com a possibilidade de haver mísseis a bordo do cargueiro – disse depois ter sido obrigado a fugir da Rússia por ter recebido ameaças.
Moscovo mantém a tese de que o Arctic Sea foi sequestrado a 24 de Julho, três dias depois de ter partido da Finlândia rumo à Argélia; e que desapareceu dos radares quando se encontrava no Canal da Mancha, próximo da costa francesa. A 17 de Agosto, as autoridades russas anunciavam que o cargueiro tinha sido encontrado junto à costa ocidental africana, e capturado oito piratas a bordo (quatro estónios, dois russos e dois letões).


