O Ministério russo dos Negócios Estrangeiros retirou a acreditação a dois diplomatas canadianos da NATO em missão em Moscovo, apresentando esta decisão expressamente como uma retaliação directa ao “acto não amigável” de expulsão de dois dos seus diplomatas, na semana passada, da missão da Rússia na Aliança, em Bruxelas.
Esta revogação das credenciais foi confirmada pela embaixada do Canadá em Moscovo, mas não há ainda qualquer indicação de que os diplomatas canadianos tenham sido declarados personae non gratae – o que implicaria a sua expulsão imediata da Rússia. Estes dois diplomatas canadianos são a directora do gabinete de Informação da NATO em Moscovo, Isabelle François, e um outro funcionário do mesmo departamento, Mark Opgenorth.
“O Canadá lamenta profundamente esta decisão que é contraproducente para os nossos esforços e dos aliados da NATO de tentar retomar a cooperação com a Rússia”, avaliou o porta-voz da embaixada canadiana em Moscovo, Nicholas Brousseau, citado pela AFP.
Fontes diplomáticas da NATO revelaram que na semana passada foi dito a dois russos em Bruxelas que já não eram ali bem-vindos: Viktor Kutchakov, diplomata veterano e chefe da secção política da missão da Rússia na NATO, e Vassili Tchijov, que tinha a seu cargo as questões administrativas e é filho do embaixador da Rússia na União Europeia.
As mesmas fontes, então citadas sob anonimato pelo diário britânico “Financial Times”, explicaram que estas expulsões estavam ligadas ao caso de espionagem do antigo responsável do Ministério da Defesa estoniano Hermann Simm – o qual foi condenado, em Fevereiro, a 12 anos de prisão no pais natal por ter vendido mais de duas mil páginas contendo informações secretas sobre a NATO a agentes dos Serviços de Espionagem Externa da Federação Russa entre 1995 e 2008.
Foi em contestação a esta decisão que o ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, cancelou ontem a sua participação na reunião ministerial do Conselho NATO-Rússia, agendada para 19 de Maio, e que seria a primeira ao mais alto nível entre Moscovo e a Aliança desde a guerra de Agosto passado na Geórgia.


