O político espanhol Manuel Fraga, fundador do Partido Popular (PP), morreu neste domingo, em Madrid. O antigo senador dedicou 60 dos seus 89 anos de vida à política, que deixou em Novembro, após ter decidido não concorrer às legislativas. Não conseguiu recuperar de uma infecção respiratória.
“Uma biografia enciclopédica e desmesurada, na qual cabem 60 anos da História de Espanha, um compêndio que abarca a ditadura, a transição, a democracia e o Estado das Autonomias, acabou com a morte de Manuel Fraga Iribarne”, escreve o El País. Com Fraga, morre também a ligação mais directa da direita espanhola a Franco.
Licenciado em Direito e em Ciências Políticas e Económicas, Manuel Fraga (n. Vilalba, 1922) iniciou-se nas lides políticas no início dos anos 1950, quando serviu primeiro como secretário-geral do Instituto de Cultura Hispânica. Ao longo da década seguinte, foi nomeado para sucessivos cargos de confiança política até que, em 1962, chegou a ministro da Informação e Turismo, no nono Governo do regime ditatorial franquista.
Em 1973, foi nomeado embaixador no Reino Unido. O general Franco morreu dois anos mais tarde, mas Manuel Fraga manteve-se na cúpula política durante a transição para a democracia. Em 1975, com a monarquia restaurada, foi chamado para o primeiro Governo sob o reinado de Juan Carlos, para assumir a tutela dos Assuntos Internos e o cargo de vice-primeiro-ministro, abaixo de Carlos Arias Navarro.
Manuel Fraga ajudou então a redigir a Constituição espanhola e fundou a Aliança Popular. Esta viria a transformar-se no Partido Popular, conservador, que dura até aos dias de hoje e obteve, nas eleições de Novembro, o seu melhor resultado de sempre – uma maioria absoluta com 186 deputados eleitos (em 350) que conduziu Mariano Rajoy ao lugar de primeiro-ministro de Espanha.
Líder da direita nos anos 1980, quando governava o socialista Felipe González, Fraga voltou a deixar o seu país em 1987, ano em que foi eleito eurodeputado. Dois anos depois, candidatou-se às eleições regionais galegas e foi eleito presidente da Junta da Galiza, cargo que ocupou até 2005, com 82 anos. Desde então, foi designado duas vezes para senador pelo parlamento galego, em 2006 e 2008.
Manuel Fraga mantinha ainda, desde 1990, o cargo de presidente honorífico do Partido Popular, que introduziu formalmente na política espanhola um ano antes, após uma reformulação da Aliança Popular. Era o último cargo que ainda mantinha dos seus “89 intensos anos”, como o El País avalia a sua vida na cronologia hoje publicada.



