Danielle Mitterrand, viúva do antigo Presidente francês François Mitterrand, morreu na madrugada desta terça-feira, aos 87 anos.
Reconhecida pelo seu trabalho de militante de esquerda, pela defesa dos oprimidos e pela sua indignação e teimosia permanentes, a antiga primeira-dama encontrava-se internada e em coma induzido.
Mitterrand estava internada desde sexta-feira no Hospital Georges Pompidou, onde acabou por morrer às 2h00 (menos uma hora em Portugal continental), confirmaram fontes familiares à agência noticiosa AFP.
Nascida a 29 de Outubro de 1924, em Verdun, no nordeste de França, Danielle Mitterrand foi primeira-dama do país entre 1981 e 1995. Actualmente presidia à fundação “France Libertés”, na qual sempre se manteve activa na luta em prol dos problemas sociais. Mitterrand era, aliás, descrita pelo marido – que morreu em 1996 – como a sua “consciência de esquerda”, tendo-se sempre mantido fiel aos ideais e desdobrado-se em várias acções humanitárias, sobretudo desde que passou a presidir à fundação, em 1986.
Danielle Mitterrand não era, contudo, apegada a títulos. “Primeira-dama de França não é um estatuto oficial. O importante é o que queremos, e isso depende da personalidade”, costumava dizer. Recentemente, em Outubro, no 25.º aniversário da fundação, reafirmou que trabalhava com um propósito muito concreto: “O objectivo é claro: um mundo mais justo.”
Da mesma forma, foi sempre fiel à vida que manteve com François Mitterrand, que morreu em 1996 após 14 anos como Presidente de França. Danielle continuava, aliás, a viver na mesma residência e mantinha ainda a aliança de casada. No entanto, evitava o mais possível falar da sua vida privada, preferindo sempre aparecer ligada a causas como a luta contra a sida, a defesa dos curdos ou o acesso a água potável em todo o planeta. Iniciativas que nem sempre foram bem acolhidas pela diplomacia francesa, causando mesmo algumas polémicas e críticas de confusão entre o papel de militante e de primeira-dama francesa.
Em 1989, por exemplo, para grande desagrado da China, recebeu na fundação o chefe espiritual tibetano, o Dalai Lama. Já em 1995 abraçou Fidel Castro, quando o histórico líder cubano visitou Paris, o que provocou uma vaga de indignação.
Notícia actualizada às 10h24: acrescenta perfil e detalhes da vida de Danielle Mitterrand



