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Outras escolhas possíveis integravam-se num "conceito mais clássico de paz”

Morgan Tsvangirai, Piedad Córdoba e Hu Jia entre os excluídos deste ano

09.10.2009 - 18:49 Por Ana Dias Cordeiro

Na lista de nomeados estava um conjunto de personalidades com alguns ou todos os traços do perfil procurado pelo comité Na lista de nomeados estava um conjunto de personalidades com alguns ou todos os traços do perfil procurado pelo comité ()

Nenhum nome, na lista recorde dos 205 propostos que o comité do Nobel de Oslo recebeu este ano para receber o prémio, se destacava como grande favorito. O Presidente Barack Obama era um candidato forte, não um provável vencedor. Havia, sim, um conjunto de personalidades com alguns ou todos os traços do perfil procurado pelo comité do Nobel: uma pessoa que trabalha em prol da paz ou um activista de direitos humanos envolvido num conflito actual e cuja influência beneficiaria em muito da conquista do prémio, segundo a Reuters.

E os seus nomes eram falados como favoritos, embora não grandes ou evidentes para todos. Foi muito falado o nome de Morgan Tsvangirai, que durante anos ousou desafiar o regime do Presidente Robert Mugabe. Também a mediadora colombiana, Piedad Córdoba, que teve um papel activo na libertação dos reféns da FARC, no ano passado, e a própria Ingrid Betancourt, eram dadas como possíveis vencedoras. Do Afeganistão, havia a médica e activista Sima Samar, reconhecida pelo seu trabalho na defesa dos direitos das mulheres afegãs. Não menos falados foram também o príncipe jordano Ghazi bin Muhammad por promover o diálogo entre religiões ou o dissidente chinês Hu Jia.

Este porém não figurava na lista dos prováveis vencedores de analistas que viam como pouco oportuno premiar um dissidente chinês quando os Estados Unidos estão empenhados numa maior aproximação com Pequim. Também a escolha de Piedad Córdoba surpreenderia por ser criticada de proximidade com o Presidente da Venezuela Hugo Chávez.

No grupo dos pequenos favoritos estava ainda o médico da República Democrática do Congo Denis Mukwege fundador do hospital de Panzi para acolher mulheres vítimas de violências sexuais da guerra. O nome foi proposto pelo norueguês Jan Egeland, ex-responsável das Nações Unidas para os Assuntos Humanitários e coordenador da Ajuda Humanitária de Emergência.

Para Egeland, actual presidente do Instituto Norueguês dos Assuntos Internacionais, numa altura em que o Nobel está sob pressão para voltar a “um conceito mais clássico de paz”, mais centrado na resolução ou prevenção de guerras, “o comité Nobel devia interessar-se pelo conflito mais mortífero desde a Segunda Guerra Mundial, na República Democrática do Congo”.

O canal de televisão independente da Noruega TV2 chegou a citar Obama como um candidato forte, mas a televisão pública dava na véspera do anúncio do prémio Morgan Tsvangirai, do Zimbabwe, como vencedor quase certo, e antecipava como essa escolha podia fortalecer a posição do opositor de Robert Mugabe num governo em que partilha o poder com este último.

“Atribuir o prémio a uma pessoa no decorrer de um conflito e com uma oportunidade de aumentar a sua influência é uma maneira sensata de usar o poder do Nobel”, afirmou à Reuters a professora da Universidade de Oslo Janne Haaland Matlary. Também Kristian Berg Harpviken, presidente do Instituto Internacional para paz de Oslo, previu que o comité do Nobel ia querer que o prémio tivesse um “impacto no que está para acontecer e de modo a afectar os acontecimentos” – ao contrário do ano passado em que o Nobel recompensou o ex-Presidente finlandês Martti Ahtisaari por 30 anos passados na mediação de vários conflitos.

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