Os moçambicanos afluíram hoje às urnas em grande número, nas primeiras cinco horas de funcionamento das assembleias de voto, para a escolha do Presidente da República, dos deputados nacionais e dos deputados às assembleias provinciais.
A votação principiou pelas 07h00 locais (05h00 em Lisboa) e termina às 18h00 (16h00), mas ao longo da madrugada já se tinham formado grandes filas junto de algumas das assembleias, tendo havido pessoas que compareceram logo pelas 02h00 da madrugada.
Não há conhecimento de incidentes de monta. Apenas na província da Zambézia, no Centro-Norte do país, algumas assembleias abriram com atraso.
O fenómeno da existência de um candidato presidencial do novo partido Movimento Democrático de Moçambique (MDM), Daviz Simango, presidente da câmara municipal da Beira, levou a que se combatesse a forte tendência para a abstenção verificada nas eleições gerais de Dezembro de 2004, disse ao PÚBLICO o director editorial do jornal electrónico "Correio da Manhã" e da revista Prestígio, de Maputo, Refinaldo Chilengue.
A participação deverá reverter ao nível das primeiras eleições multipartidárias, realizadas há 15 anos, devendo saber-se isso ao certo durante a próxima madrugada, acrescentou a mesma fonte.
Até ao fim do mês as direcções dos principais partidos já deverão ter uma ideia muito clara dos resultados, se bem que a lei diga que resultados oficiais e definitivos só deverão estar prontos a publicar dentro de 15 dias.
A Reuters considera ser um dado praticamente adquirido que o Presidente Armando Emílio Guebuza, que há cinco anos substituiu Joaquim Chissano, irá ser reeleito e procurar atrair mais investidores estrangeiros, tal como também admite que a Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo) continuará a ser a força política maioritária, mesmo que sem maioria absoluta.
Os únicos adversários de Guebuza são Simango e o líder da Resistência Nacional de Moçambique (Renamo), Afonso Dhlakama, que concorre pela quarta vez e afirma que se for derrotado não se apresentará mais perante o eleitorado.
Quanto ao partido de Simango, o MDM, só foi autorizado a concorrer em quatro círculos eleitorais, de modo que todas as atenções do mesmo se concentraram nas presidenciais.


