Moçambique: Observadores portugueses falam de uma boa organização do acto eleitoral

28.10.2009 - 13:52 Por Jorge Heitor
Eurodeputados portugueses que estão a acompanhar as eleições moçambicanas disseram hoje ao PÚBLICO, a duas horas do fecho das urnas, que tudo está a decorrer normalmente, com grande afluência e sem conhecimento de incidentes dignos de registo.
O socialista Vital Moreira, contactado pelo telefone na área da Beira, contou que ao longo de toda a manhã se verificaram grandes filas e que tanto ele como os demais eurodeputados destacados para a missão vão ficar no país até sábado, devendo dar na sexta-feira uma conferência de imprensa para apresentar o seu balanço deste acto múltiplo: presidenciais e escolha de deputados tanto a nível nacional como provincial.
Por seu turno, o social-democrata José Manuel Fernandes, que ao ser contactado se encontrava nos subúrbios de Maputo, destacou que "tudo tem corrido muito bem, com grande profissionalismo e competência por parte dos membros das mesas".
Cada pessoa que votava mergulhava depois o dedo numa tinta indelével, para evitar que se apresentasse de novo a votar, neste processo em que o universo potencial de eleitores é de 9,8 milhões.
Quanto a Miguel Portas, do Bloco de Esquerda, que tal como Vital Moreira também teve como área a seu cargo a da cidade da Beira, na província de Sofala, referiu que nas assembleias por si visitadas até perto das 16h00 locais (14 em Lisboa) a afluência teria sido em média de 35 a 50 por cento dos inscritos.
Portas destacou que o quadro legal para as eleições moçambicanas é "muito parecido com o quadro legal portugês" e que houve "grandes bichas nas zonas urbanas mais populosas", num município cujo presidente, Daviz Simango, líder do Movimento Democrático de Moçambique (MDM), é um dos três candidatos a Chefe de Estado, disputando o cargo ao Presidente ainda em funções, Armando Guebuza, e ao dirigente da Renamo, Afonso Dhlakama.
Nas legislativas participam 17 partidos e duas coligações, mas só a Frelimo e a Renamo foram autorizadas a concorrer em todos os círculos, incluindo dois no estrangeiro (África e Europa), elas que repartiam entre si o Parlamento cessante: 160 deputados para a primeira e 90 para a segunda.
"Presidentes de mesa, vice-presidentes, secretários e demais pessoal das assembleias de voto (que são mais de 12.000), todos estão efectivamente muito bem preparados", disse o eurodeputado bloquista.
Dos sete eurodeputados que a União Europeia escolheu para a sua missão de observadores de curto prazo, quatro eram portugueses: José Manuel Fernandes, Portas e os socialistas Vital Moreira e Luís Alves. Mas para além deles há representantes da UE que já se encontram há mês e meio no terreno, tendo acompanhado o decurso de toda a campanha eleitoral.
Se bem que formalmente os resultados oficiais só venham a ser anunciados daqui a 15 dias, espera-se que a nível de cada uma das mesas, dos distritos e das províncias eles comecem a ser anunciados a partir de amanhã, contando-se com os perto de 1.600 observadores moçambicanos para na sexta-feira já haver uma perspectiva do balanço geral.


