Os ministros dos Negócios Estrangeiros dos países europeus vão “condenar” em termos fortes a “repressão em curso” feita pelas autoridades líbias contra os “manifestantes pacíficos” anti-Governo e “deplorar a violência [usada] e a morte de civis”, num documento a ser aprovado ainda hoje em Bruxelas.
“A liberdade de expressão e o direito de manifestação pacífica são direitos fundamentais do ser humano que têm que ser respeitados e protegidos”, sublinham os chefes da diplomacia dos Vinte e Sete, de acordo com o texto, ao qual a agência noticiosa britânica Reuters teve acesso prévio.
Os ministros reúnem hoje para discutir o movimento de contestação que corre actualmente o Norte de África e o golfo, com especial enfoque no Egipto – em processo de transição após a deposição de Hosni Mubarak há pouco mais de uma semana – e na Líbia, onde se registam protestos há oito dias contra o regime autoritário de Muammar Khadafi.
Face a vaga de violência, os Vinte e Sete estão mesmo a ponderar a hipótese de retirar do país todos os cidadãos europeus, nomeadamente de Bengasi, onde se registam as maiores manifestações contra Khadafi. A ministra espanhola dos Negócios Estrangeiros, Trinidad Jiménez, aludiu a esta possibilidade à chegada à reunião em Bruxelas, avançando que o assunto começou a ser analisado ontem.
Porta-voz da gigante petrolífera BP anunciou entretanto que a empresa está a preparar-se para retirar da Líbia todos os seus 140 funcionários.
As autoridades líbias ameaçaram a União Europeia de que porão fim à cooperação dada no âmbito do combate à imigração ilegal para os países europeus, caso Bruxelas continue a “encorajar” os protestos pró-democracia no país, revelou ontem a Hungria, que assegura presentemente a presidência da UE.
Esta não é, de resto, a primeira vez que o regime de Trípoli faz esta ameaça: ainda em Dezembro passado, um dos ministros do Governo de Khadafi afirmou que o país diminuiria os seus esforços para estancar o fluxo de imigrantes ilegais para a Europa a não ser que a UE pagasse à Líbia cinco mil milhões de euros por ano. Dois meses antes, a Comissão Europeia anunciara que iria gastar 50 milhões de euros em ajuda à Líbia para combater a imigração ilegal e proteger os direitos dos imigrantes.
Notícia actualizada às 9h50



