Os ministros dos Negócios Estrangeiros da União Europeia reúnem-se hoje, no Luxemburgo, para tentar avançar nas negociações do novo quadro orçamental comunitário, sobre o qual os líderes europeus irão tentar chegar a acordo no final da semana.
O chefe da diplomacia portuguesa, Diogo Freitas do Amaral, deverá reiterar a oposição de Portugal à actual proposta de compromisso, que prevê uma redução de cerca de 20 por cento dos fundos de coesão para as regiões menos desenvolvidas do país.
Segundo fonte diplomática, haverá "poucos progressos" nas negociações, apesar de "o ambiente ser melhor" do que há algumas semanas.
A crise política causada pela rejeição da Constituição Europeia nos referendos realizados em França e Holanda faz aumentar a vontade de "mostrar que a Europa funciona", o que se reflecte nas negociações das Perspectivas Financeiras 2007-2013.
A presidência luxemburguesa irá apresentar quarta ou quinta-feira uma nova proposta de compromisso que será posta à consideração dos chefes de Estado e de Governo da UE.
A mesma fonte considera que a "chave" para o sucesso da Cimeira Europeia que se realiza em Bruxelas quinta e sexta-feira será o nível das cedências que o Reino Unido vai aceitar fazer no sistema especial em vigor para a sua contribuição para os cofres comunitários.
Londres conseguiu convencer em 1984, numa altura em que o país era "pobre", os seus aliados europeus a devolverem anualmente uma parcela importante da sua contribuição para o orçamente da UE.
O Reino Unido é hoje um país "rico" e os 24 restantes Estados- membros pretendem acabar com o "cheque britânico".
Lisboa tem defendido a existência de um "caso português" que tem de ser tomado em consideração no compromisso final.
Cerca de 80 por cento das transferências que Portugal recebe dos cofres comunitários são feitas pela política de coesão, através da qual os "ricos" apoiam as regiões "pobres" da UE.
Uma diminuição acentuada dos dinheiros dessa política iria penalizar em muito Portugal, numa altura em que continua a ser necessário fazer um grande esforço de modernização.
Portugal já indicou que só aceitará uma diminuição de 10 a 20 por cento dos fundos se obtiver melhorias noutras áreas, como na do "desenvolvimento rural".


